ONU descobre mais de 200 valas comuns em território que foi controlado pelo Isil

6 novembro 2018

Novo relatório estima que entre 6 mil e 12 mil pessoas estejam enterradas nestes locais; campanha de violência entre 2014 e 2017 pode ser considerada crime de guerra, contra a humanidade e possível genocídio.

A Missão da ONU no Iraque, Unami, e o Escritório de Direitos Humanos confirmaram esta terça-feira a descoberta de 202 valas comuns em território que foi controlado pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

O relatório, com o título “Descobrindo Atrocidades: Valas Comuns em Território Antes Controlado pelo Isil”, estima que entre 6 mil e 12 mil pessoas tenham sido enterradas nestes locais entre 2014 e 2017.

Vítimas

Família deixa sua casa, destruída, minutos após um carro-bomba ser detonado pelo Isil. Foto: Acnur/Ivor Prickett
Família deixa sua casa, destruída, minutos após um carro-bomba ser detonado pelo Isil, by Acnur/Ivor Prickett

Embora seja difícil determinar o número total, o local mais pequeno, no oeste de Mossul, continha oito corpos. O maior foi encontrado em Khasfa, no sul da mesma cidade, e pode conter milhares de pessoas enterradas.

As vítimas incluem mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência, membros e antigos membros das forças armadas iraquianas e polícia.

Segundo a pesquisa, o maior número foi encontrado nas províncias de Ninewa com 95 corpos. Seguem-se Kirkuk com 37, Salah al-Din  com 36 e Anbar com 24 pessoas.

O relatório documenta “o legado da implacável campanha de terror e violência da ISIL”. Também destaca os desafios que as famílias dos desaparecidos enfrentam para descobrir o destino dos seus familiares.

Os autores dizem que “as provas recolhidas serão fundamentais para assegurar investigações, processos e condenações de acordo com os padrões internacionais.”

Crimes

Segundo a pesquisa, entre junho de 2014 e dezembro de 2017, o Isil conquistou grandes áreas do Iraque e liderou “uma campanha de violência generalizada e violações sistemáticas dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário.”

O relatório afirma que esses atos “podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e possível genocídio.”

Justiça

Em nota, o representante especial para o Iraque do secretário-geral, Ján Kubis, disse que "os locais documentados são prova da perda humana dolorosa, do sofrimento profundo e de uma crueldade chocante."

Michelle Bachelet declarou que é essencial que o governo do Sudão do Sul atue para responsabilizar os autores de abusos e violações, by Foto ONU/Jean-Marc Ferre

Para Kubis, “determinar as circunstâncias que envolvem a perda significativa de vidas será um passo importante no processo de luto pelas famílias e a caminhada para garantir seus direitos à verdade e à justiça.”

A comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet,  afirmou que "os crimes horríveis do Isil no Iraque já não fazem manchetes, mas o trauma das famílias das vítimas perdura, com milhares de mulheres, homens e crianças desaparecidos."

A chefe dos Direitos Humanos explicou que “essas sepulturas contêm os restos mortais daqueles que foram impiedosamente mortos por não se conformarem com a ideologia e o governo distorcidos de Isil, incluindo minorias étnicas e religiosas.”

Bachelet acredita que as famílias têm o direito de saber o que aconteceu e que “a verdade, a justiça e as indemnizações são cruciais para garantir um julgamento completo das atrocidades cometidas.”

Recomendações

O relatório recomenda uma abordagem multidisciplinar das operações de recuperação, com a participação de especialistas experientes. Também exige uma abordagem centrada na vítima e um processo de justiça aceite pelos iraquianos.

Por fim, o relatório convida a comunidade internacional a fornecer recursos e apoio técnico.

 

 

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