Poluição do ar pode ter efeitos negativos para a inteligência cognitiva

12 outubro 2018

Impacto é mais notório em homens idosos com baixa escolaridade;  estima-se que 7 milhões de pessoas morrem a cada ano devido à exposição ao ar poluído; ONU Meio Ambiente realça importância de políticas para reduzir poluição atmosférica.

A exposição a longo prazo à poluição do ar pode impedir o bom desempenho cognitivo. A conclusão é de um estudo realizado por cientistas da Universidade de Pequim, na China, e da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Os  investigadores estudaram mais de 25 mil pessoas, de diferentes regiões da China, relacionando com a leitura diária de três poluentes atmosféricos: dióxido de enxofre, dióxido de nitrogénio e material particulado inferior a 10 micrómetros.

O estudo publicado na revista “Proceedings”, da Academia Nacional de Ciências, conclui que a exposição constante à poluição do ar impede o desempenho cognitivo em testes verbais e matemáticos.

Idosos

Os cientistas concluíram também que “os danos no cérebro do envelhecimento provocado pela poluição do ar impõem custos substanciais à saúde e à economia,"​​​​​​​Foto Banco Mundial / Curt Carnemark

Quanto mais as pessoas envelhecem, mais nefastos se tornam os efeitos. Os homens são os mais afetados, sobretudo os que têm uma escolaridade baixa. Segundo os cientistas, isso é explicado pelo facto destes trabalharem, frequentemente, ao ar livre.

Os cientistas concluíram também que “os danos no cérebro do envelhecimento provocado pela poluição do ar impõem, provavelmente, custos substanciais à saúde e à economia, considerando que o funcionamento cognitivo é crítico para os idosos, tanto para realizar tarefas diárias como para tomar decisões de alto risco."

A coordenadora de Qualidade do Ar da Agência da ONU para o Meio Ambiente, Soraya Smaoun, considera que “a poluição do ar é uma ameaça significativa para a saúde pública” e destaca o efeito negativo que “a poluição pode ter sobre o envelhecimento do cérebro".

A representante sublinhou ainda que “é fundamental compreender melhor a ligação entre a poluição do ar e a saúde para determinar políticas e investimentos que apoiem transportes menos poluentes e energias mais limpas, bem como habitações mais eficientes, para reduzir as principais fontes de poluição do ar exterior."

Evolução

O estudo também sugere que a poluição do ar aumenta o risco de doenças degenerativas, como Alzheimer e outras formas de demência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS,  7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à exposição ao ar poluído.

O banco de dados de qualidade do ar da OMS mostra que 97% das cidades em países de baixa e média renda, com mais de 100 mil habitantes, não repeitam as diretrizes de qualidade do ar atualmente. No entanto, a percentagem é muito menor nos países de renda mais alta, onde apenas 40% das cidades com aquela dimensão registam índices elevados de poluição.

A maioria das grandes cidades ainda está a trabalhar para manter a poluição do ar dentro dos níveis aceitáveis, conforme estabelecido pela OMS.

Em 2018, a agência da ONU constatou que mais de 57% das cidades do continente americano e mais de 61% das cidades da Europa registaram uma redução dos níveis de poluição. 

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