Mulheres de São Tomé e Príncipe lutam pela qualidade da água

2 abril 2018

País de língua portuguesa, no oeste da África, foi um dos beneficiários do projeto Water 4 Islands, ou Água para as Ilhas, apoiado pela ONU Ambiente; iniciativa motivou participação de grupo de mulheres, que inspirou o governo nacional.

Um grupo de mulheres da localidade de Neves, em São Tome e Príncipe, tornou-se um exemplo para todo o país depois de se tornarem ativistas pela conservação do seu rio.

A comunidade de pescadores, no nordeste do país, foi uma das beneficiárias do projeto Water 4 Islands ou Água para as Ilhas, da ONU Ambiente, que ajuda pequenos Estados insulares a lidar com o problema de falta de água causado pelas mudanças climáticas.

Começo

Em 2016, quando o projeto chegou ao país, Neves foi escolhida como um primeiro exemplo. A comunidade é atravessada pelo rio Provaz, e a população, de 4 mil pessoas, depende destas águas para agricultura e pesca.

Uma equipa de especialistas investigou os recursos existentes, a forma como eram geridos, e convidou várias pessoas a integrar o Comitê de Gestão da Bacia do Rio Provaz. O comitê procurou sensibilizar a população para proteger este recurso. Falou em escolas, organizou passeios e, finalmente, uma ação de limpeza do rio.

Depois desta primeira limpeza, um grupo de mulheres decidiu tornar a atividade uma ação regular. Foram formadas várias equipas e, passado algum tempo, o rio estava a ser limpo até três vezes por semana.

ONU/Martine Perret
Temas como água e saneamento farám parte dos episódios dos "Intxunáveis".

O grupo criou um lema – “Os nossos recursos, as nossas vidas.” A assessora de comunicação da Water 4 Islands, Geraldine Deblon, diz que “as mulheres decidiram que não iam esperar pelo governo, que se iam mobilizar e assumir responsabilidade.”

Maria Lucília, líder do grupo de mulheres, explicou à ONU Ambiente que “o trabalho de limpeza beneficia a população de Neves e oferece um futuro melhor para todos.”

Exemplo

Meses depois, o grupo foi convidado para falar na televisão, dar entrevistas para jornais. O presidente do país, Manuel Pinto da Costa, visitou a localidade para conhecer a iniciativa.

O Ministério de Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente pediu às mulheres para serem suas embaixadoras. No último ano, o grupo viajou pelo país, a visitar outras comunidades juntos de rios, partilhando a sua experiência.

O coordenador regional do Water 4 Island, Daniel Nzyuko, acredita que “o foco no género e envolvimento das mulheres foi o catalizador de todo o processo.”

As mulheres estão agora a envolver-se de outras formas, alertando para a poluição e saneamento básico. Apoiaram a introdução de multas para quem lava os carros no rio, por exemplo, e promovem o uso de banheiros públicos.

Legado

O projeto Water 4 Islands termina no final de 2018, mas os seus resultados devem continuar. Desde 2016, já foram formados no país outros três comitês de proteção de rios. Outros dois estão a ser constituídos.

O país aprovou em janeiro deste ano a sua primeira Lei da Água. Também foi aprovado o Plano Nacional Integrado de Gestão de Recursos Hídricos.

O ministro de Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente, Carlos Vilanova, diz que o maior desafio “é distribuir água de qualidade a toda a população e, para isso, é preciso gerir a água da melhor forma possível.”

Segundo ele, “este projeto ajudou a mudar a atitude da população, e os comportamentos necessários para manter a água limpa."