ONU apoia programa de US$ 180 milhões para reduzir exposição ao mercúrio

18 fevereiro 2019

Projeto visa proteger trabalhadores da mineração de ouro artesanal e de pequena escala em oito países; setor representa maior fonte de emissões de mercúrio; cerca de 15 milhões de pessoas têm sua saúde em risco, incluindo 600 mil crianças.

São necessárias medidas urgentes para proteger milhões de homens, mulheres e crianças expostos a níveis tóxicos de mercúrio. Os trabalhadores da indústria de mineração artesanal e de pequena escala são os mais afetados.

Para lidar com este problema, o  Fundo Global para o Meio Ambiente e vários parceiros irão investir US$ 180 milhões na iniciativa “Gold Program”, Programa do Ouro em português, para reformar o setor.

Falando à ONU News, de Londres, o diretor de Programas, Gustavo Fonseca explicou a urgência em reduzir a utilização do mercúrio nesta atividade. Foto: IISD/ENB

Ambiente

Falando à ONU News, de Londres, o diretor de Programas, Gustavo Fonseca, explicou a urgência em reduzir a utilização do mercúrio nesta atividade.

“Esse mercúrio acaba sendo liberado tanto nos rios e também pelo ar, porque os garimpeiros usam o mercúrio para amalgamar a rocha. Depois, eles queimam essa amálgama e todo aquele vapor é liberado no ar e correntes de vento levam esse mercúrio para dezenas, se não centenas de quilómetros, e vão poluindo o meio ambiente.”

Segundo o diretor, a extração artesanal é responsável por 40% das emissões de mercúrio.

Todos os anos, mais de 2.700 toneladas de ouro são extraídas em todo o mundo. Dessa quantidade, mais de 500 toneladas por ano, ou 20%, é conseguida por mineiros artesanais e de pequena escala.

Saúde 

A maioria destes profissionais está em países em desenvolvimento, trabalham em condições muitas vezes adversas, sem qualquer proteção. Por isso, o impacto na saúde dos trabalhadores também é uma grande preocupação, estimando-se que até 15 milhões de pessoas estejam em risco.

“A exposição de mercúrio é extremamente danosa principalmente para crianças, na fase de crescimento, pode causar danos cerebrais permanentes, além de causar danos nas articulações. Além disso tem efeitos também nos órgãos que são efeitos extremamente danosos.”

O programa de cinco anos abrange oito países: Burkina Faso, Colômbia, Guiana, Indonésia, Quénia, Mongólia, Filipinas e Peru. A parceria envolve o Fundo Mundial para o Meio Ambiente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, Unido, e os governos das nações beneficiárias.

Projetos

A diretora executiva interina da ONU para o Meio Ambiente, Joyce Msuya, destacou que “as emissões de mercúrio causam impacto na saúde e nos ecossistemas”, contaminando os alimentos, a água e o ar.

Segundo o diretor do programa, a extração artesanal é responsável por 40% das emissões de mercúrio em todo o mundo. Foto: ​​​​​​​Pnuma/ Veejay Villafranca

Lançado esta segunda-feira em Londres, o programa prevê financiar projetos que permitam aos profissionais deste setor não só formalizar a sua atividade, como melhorar os seus equipamentos e os métodos de produção para que não tenham de recorrer ao mercúrio.

O diretor de Química e Saúde Ambiental do Pnuma, Jacob Duer, reforçou que com a “eliminação gradual do uso de mercúrio e a conexão das empresas aos mercados de minerais produzidos de forma responsável, o programa ajudará a garantir que a cadeia de valor de ouro apoia as empresas e fornece aos consumidores o acesso a ouro eticamente e ambientalmente sustentável."

Segundo a ONU, até 15 milhões de pessoas trabalham neste setor, incluindo 4,5 milhões de mulheres e mais de 600 mil crianças.

 

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