Tecnologia ajuda na proteção de rinocerontes na África do Sul
BR

3 agosto 2018

ONU Ambiente integra parceria que tenta diminuir riscos enfrentados por guardas florestais; através de DNA coletado no local do crime, projeto ajuda a identificar rota do tráfico dos chifres de rinocerontes; todas as cinco espécies destes animais no mundo estão em extinção.

 guarda florestal Mathebula morreu enquanto rastreava suspeitos de caçadores de rinocerontes no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Para a ONU Ambiente, a morte dele mostra os perigos desta profissão.

É para diminuir os riscos envolvidos na atividade e combater o crime contra a vida selvagem que o Fundo Global para o Meio Ambiente financia, com o apoio do Departamento de Estado americano, um projeto que tem como alvo a proteção dos rinocerontes.

O Dia Mundial dos Guardas Florestais e marcado em 31 July, by Foto: Cites

Ataques por leões

Executado pelo governo da África do Sul e implementado pela ONU Ambiente, o projeto tenta proteger as cenas do crime onde rinocerontes são encontrados mortos. O objetivo é preservar as provas antes da chegada dos investigadores.

Enquanto esperam, os guardas envolvidos no projeto também precisam se proteger contra os caçadores e até mesmo contra o perigo de serem atacados por leões.  

Teste de DNA

Com o uso de veículos 4x4 e tecnologia avançada, as “unidades de crime móveis”, como são chamadas, possuem todo material necessário para coletar amostras de DNA e até mesmo fazer a necropsia do animal.

As amostras de DNA são analisadas pela ONU Ambiente num laboratório na Universidade de Pretória. Elas são então comparadas com amostras dos chifres de rinocerontes apreendidos. Desta forma, são usadas nas investigações e ajudam a identificar as rotas de tráfico ilegal e grupos de crime organizado.

Os chifres dos rinocerontes, conhecidos por suas propriedades terapêuticas, são vendidos no mercado ilegal, by Foto: Ryan Harvey

Deste o início do projeto em 2014, mais de 700 amostras foram utilizadas em tribunal em casos relacionados à caça ilegal. Através da iniciativa também são fornecidos treinamentos para guardas florestais, investigadores, procuradores e juízes.

Risco de extinção

Existem no mundo cinco espécies de rinocerontes e, de acordo com a ONU Ambiente, todas estão em risco de extinção.

Uma das principais causas do declínio rápido nas últimas décadas é a caça ilegal. Os chifres dos rinocerontes, conhecidos por suas propriedades terapêuticas, são vendidos no mercado ilegal.

De acordo com a agência da ONU, eles também são utilizados para produzir estátuas e artefatos valiosos. Além disso, colecionadores esperam que com os rinocerontes se tornando cada vez mais raros, o valor dos produtos feitos com os chifres dos animais fique mais alto. 

Cites

Cerca de 96% dos rinocerontes negros desapareceram devido à caça ilegal entre 1970 e 1992. Hoje, existem apenas 4,8 mil animais da espécie no seu habitat natural no mundo. Todas as cinco espécies de rinocerontes estão inclusas na Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens, Cites, e o comércio deles é extremamente proibido.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 15 prevê ações urgentes para acabar com a caça ilegal e o tráfico para proteger a flora e a fauna. De acordo com a ONU, das 8.300 espécies de animais conhecidas, 8% estão extintas e 22% estão sob risco de extinção.

 

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