Acnur alerta para a falta de financiamento aos refugiados

9 outubro 2018

Pagamento de verbas para 2018 deverá atingir apenas 55% dos US$ 8,2 bilhões necessários; relatório destaca gravidade das situações no Burundi, na República Democrática do Congo, no Afeganistão, no Sudão do Sul, na Síria e na Somália.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Acnur, Babar Baloch, afirmou que o financiamento para apoiar os que são forçados a migrar e os apátridas “é cada vez mais reduzido” e que “pouco mais de metade das necessidades estão a ser atendidas.”

As declarações do representante da agência foram feitas durante a apresentação do relatório do Serviço de Relações com Doadores e Mobilização de Recursos do Acnur que decorreu esta terça-feira, em Genebra.

Financiamento

Relatório do Acnur mostra que existem, atualmente, 68,5 milhões de pessoas forçadas a deslocarem-se em todo o mundo., by Foto: UNAMID/Mohamad Mahady

Segundo o documento existem, atualmente, 68,5 milhões de pessoas forçadas a deslocarem-se em todo o mundo.

De acordo com o porta-voz do Acnur, até ao momento, estima-se que “que o financiamento para 2018 atinja apenas 55% dos US$ 8,2 bilhões necessários.” Estes valores comparam com os 56,6% registados em 2017 e os 58% em 2016.

Em suma, Baloch afirmou que “o financiamento dos doadores tem vindo a cair cada vez mais, à medida que o número de deslocados no mundo aumenta.”

Uma situação que para o Acnur tem consequências visíveis. A agência assiste ao “aumento da subnutrição, de instalações de saúde superlotadas, crianças em salas superlotadas ou sem escola, e riscos crescentes de proteção devido à falta de pessoal para lidar com crianças ou vítimas de violência sexual.”

Burundi

O relatório dá conta de seis situações de refugiados e de migrantes particularmente preocupantes: Burundi, República Democrática do Congo, Afeganistão, Sudão do Sul, Síria e Somália.

A situação do Burundi é a mais preocupante, apenas 28% dos US$ 206 milhões necessários foram recebidos, por isso, o impacto sobre os 400 mil refugiados nos países vizinhos é crítico.

Na Tanzânia, cerca de 52% dos 232.716 refugiados do Burundi ainda vivem em abrigos de emergência concebidos para uso a curto prazo. O representante do Acnur explica que “não havendo infraestruturas escolares, quase 18 mil crianças refugiadas têm aulas sob árvores.”

O representante do Acnur explica ainda que “milhares de famílias de refugiados estão a utilizar latrinas comunitárias superlotadas, com risco de surtos de doenças, pouca privacidade e exposição de mulheres e crianças. A educação é muito básica, com materiais de aprendizagem insuficientes e salas de aula superlotadas.”

Outros exemplos

Na República Democrática do Congo, RD Congo, afetada por conflitos, bem como países que acolhem refugiados congoleses, do total de US$ 369 milhões necessários, o Acnur recebeu até agora apenas 31%.

Já no Afeganistão, à medida que o conflito se aproxima da quarta década, cerca de 2,4 milhões de pessoas vivem no Paquistão e no Irão como refugiados. Cerca de 1,9 milhão de pessoas estão deslocadas dentro do Afeganistão. Estas três operações do Acnur para 2018 custam US$ 304 milhões, mas até agora apenas 32% foram pagos.

O Acnur alerta ainda que o apoio ao Sudão do Sul, à Síria, à Somália é também motivo de grande preocupação. O fundos dados para o auxílio aos refugiados e deslocados nestes países é inferior a 37% em relação às verbas que são necessárias.

 

 

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