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Acnur alerta para a falta de financiamento aos refugiados

Um grupo de crianças africanas sorridentes, vestindo uniformes escolares, enche seus copos de plástico coloridos com água de um ponto de distribuição da Unicef na escola primária Kanyosha III, em Bujumbura, Burundi.
Foto: UNICEF/UNI180029/Colfs Muitas das crianças, que compõem mais da metade dos refugiados, chegam aos países anfitriões separadas dos pais ou de suas famílias.

Acnur alerta para a falta de financiamento aos refugiados

Migrantes e refugiados

Pagamento de verbas para 2018 deverá atingir apenas 55% dos US$ 8,2 bilhões necessários; relatório destaca gravidade das situações no Burundi, na República Democrática do Congo, no Afeganistão, no Sudão do Sul, na Síria e na Somália.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Acnur, Babar Baloch, afirmou que o financiamento para apoiar os que são forçados a migrar e os apátridas “é cada vez mais reduzido” e que “pouco mais de metade das necessidades estão a ser atendidas.”

As declarações do representante da agência foram feitas durante a apresentação do relatório do Serviço de Relações com Doadores e Mobilização de Recursos do Acnur que decorreu esta terça-feira, em Genebra.

Financiamento

Uma mulher e um menino em um posto de distribuição de água no campo de Abu-Shok, em Darfur, carregando jarras de água em um carrinho de mão.
Relatório do Acnur mostra que existem, atualmente, 68,5 milhões de pessoas forçadas a deslocarem-se em todo o mundo., by Foto: UNAMID/Mohamad Mahady

Segundo o documento existem, atualmente, 68,5 milhões de pessoas forçadas a deslocarem-se em todo o mundo.

De acordo com o porta-voz do Acnur, até ao momento, estima-se que “que o financiamento para 2018 atinja apenas 55% dos US$ 8,2 bilhões necessários.” Estes valores comparam com os 56,6% registados em 2017 e os 58% em 2016.

Em suma, Baloch afirmou que “o financiamento dos doadores tem vindo a cair cada vez mais, à medida que o número de deslocados no mundo aumenta.”

Uma situação que para o Acnur tem consequências visíveis. A agência assiste ao “aumento da subnutrição, de instalações de saúde superlotadas, crianças em salas superlotadas ou sem escola, e riscos crescentes de proteção devido à falta de pessoal para lidar com crianças ou vítimas de violência sexual.”

Burundi

O relatório dá conta de seis situações de refugiados e de migrantes particularmente preocupantes: Burundi, República Democrática do Congo, Afeganistão, Sudão do Sul, Síria e Somália.

A situação do Burundi é a mais preocupante, apenas 28% dos US$ 206 milhões necessários foram recebidos, por isso, o impacto sobre os 400 mil refugiados nos países vizinhos é crítico.

Na Tanzânia, cerca de 52% dos 232.716 refugiados do Burundi ainda vivem em abrigos de emergência concebidos para uso a curto prazo. O representante do Acnur explica que “não havendo infraestruturas escolares, quase 18 mil crianças refugiadas têm aulas sob árvores.”

O representante do Acnur explica ainda que “milhares de famílias de refugiados estão a utilizar latrinas comunitárias superlotadas, com risco de surtos de doenças, pouca privacidade e exposição de mulheres e crianças. A educação é muito básica, com materiais de aprendizagem insuficientes e salas de aula superlotadas.”

Outros exemplos

Na República Democrática do Congo, RD Congo, afetada por conflitos, bem como países que acolhem refugiados congoleses, do total de US$ 369 milhões necessários, o Acnur recebeu até agora apenas 31%.

Já no Afeganistão, à medida que o conflito se aproxima da quarta década, cerca de 2,4 milhões de pessoas vivem no Paquistão e no Irão como refugiados. Cerca de 1,9 milhão de pessoas estão deslocadas dentro do Afeganistão. Estas três operações do Acnur para 2018 custam US$ 304 milhões, mas até agora apenas 32% foram pagos.

O Acnur alerta ainda que o apoio ao Sudão do Sul, à Síria, à Somália é também motivo de grande preocupação. O fundos dados para o auxílio aos refugiados e deslocados nestes países é inferior a 37% em relação às verbas que são necessárias.