Guterres: “apesar do caos e da confusão sopram ventos de esperança pelo globo”

25 setembro 2018

Chefe da ONU destacou progressos e ameças para a paz, segurança e desenvolvimento internacionais; secretário-geral mencionou aumento do autoritarismo e ameaças ao multilateralismo; presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, disse que o trabalho das Nações Unidas continua tão relevante como há 73 anos.

O secretário-geral das Nações Unidas abriu esta terça-feira o debate de alto nível da 73ª sessão da Assembleia Geral com apelos ao reforço da solidariedade, da confiança, do multilateralismo e da dignidade no mundo.

No discurso aos 193 Estados-membros, António Guterres sublinhou que, “apesar do caos e da confusão, vê ventos de esperança soprando pelo globo”.

Défice de Confiança

O chefe da ONU iniciou o seu discurso frisando que o mundo sofre do que chamou de um caso grave de "transtorno do défice de confiança".

Segundo o representante, há um sentimento de incómodo, de insegurança nas pessoas e a confiança está em ponto de ruptura quanto a instituições nacionais, Estados e a ordem global baseada em regras.

Guterres explicou que, em várias décadas, foram criadas bases sólidas para a cooperação internacional e consolidada a união de nações para construir instituições, normas e regras de promoção de interesses compartilhados.

O representante defende que aumentaram os padrões de vida para milhões, foi forjada a paz em terras problemáticas e até evitada uma terceira guerra mundial. Mas, segundo ele, “nada disso pode ser tomado como garantido”.

O secretário-geral destacou que a ordem mundial é cada vez mais caótica com “relações de poder menos claras”. O representante disse que “os valores universais estão em erosão, os princípios democráticos estão sendo limitados e um Estado de direito que está sendo minado.”

Veja aqui, em inglês, espanhol e francês, o discurso completo de António Guterres:

Multilateralismo

Para Guterres, o mundo tem grandes desafios, como a ameaça do multilateralismo, o  aumento do autoritarismo e ameaças aos direitos humanos.

Guterres disse que existe quem olhe para seus vizinhos como perigosos e essa situação pode causar ameaça onde antes não havia.

O chefe da ONU disse que os que que fecham suas fronteiras à migração regular alimentam a ação de traficantes e os que ignoram os direitos humanos no combate ao terrorismo tendem a gerar o mesmo extremismo que tentam combater.

Ele apontou a vantagem do avanço rápido de novas tecnologias, mas citou riscos e perigos sérios que incluem tráfico humano e atos maliciosos no ciberespaço como campanhas de desinformação, que polarizam comunidades e diminuem a confiança entre Estados.

Assembleia Geral

No seu discurso, a presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, disse que “a realidade é que o trabalho das Nações Unidas continua tão relevante como há 73 anos”.

Para a presidente, “o multilateralismo é a única resposta possível para os problemas globais que enfrentamos”. Segundo ela, “enfraquecer ou colocar em questão só gera instabilidade e perplexidade, desconfiança e polarização”.

Espinosa também lembrou as sete prioridades para o seu mandato: igualdade de gênero, migração, trabalho decente, ambiente, pessoas com deficiência, revitalização da ONU e, finalmente, papel dos jovens na paz e segurança.

A presidente da Assembleia Geral disse que queria começar a nova sessão com “uma chamada efusiva para os líderes do mundo para que atendam às necessidades dos seus povos”.

Espinosa pediu que “não desistam de tentar construir uma ordem mundial mais pacífica, mais segura e mais humana, onde cada pessoa encontra seu lugar com dignidade”.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud