Guterres faz apelo para evitar grande batalha em província síria de Idlib

11 setembro 2018

Secretário-geral falou aos jornalistas na sede da ONU em Nova Iorque sobre crise no país do Oriente Médio; Conselho de Segurança debateu situação na Síria e no Iêmen em dois encontros separados.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta terça-feira que “é absolutamente essencial evitar uma batalha em grande escala em Idlib”, uma província na Síria.

Guterres afirmou que “isso desencadearia um pesadelo humanitário diferente de qualquer outro visto neste conflito banhado de sangue.” O chefe da ONU falava aos jornalistas na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

Perigo

Segundo a ONU, quase metade dos 2,9 milhões de pessoas que vivem nesta província mudaram-se para a região procurando refúgio da guerra. Estes números incluem cerca de um milhão de crianças.

Guterres explicou que Idlib é a última zona de refúgio no país e que “não deve ser transformado em banho de sangue”.

O secretário-geral afirmou que a situação atual não é sustentável e que a presença de grupos terroristas não pode ser tolerada, mas que “o combate ao terrorismo não isenta as partes em conflito de suas obrigações fundamentais sob o direito internacional”.

Enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, by Foto ONU/Manuel Elias

Apelo

António Guterres fez um apelo direto a todas as partes envolvidas, destacando o Irã, Rússia e Turquia, e pediu que não poupem esforços para proteger civis, manter serviços básicos e respeitar o direito internacional humanitário.

O chefe da ONU lembrou ainda que “no século XXI qualquer uso de armas químicas é totalmente inaceitável.”

No final, Guterres repetiu que “não há solução militar para o conflito, a solução deve ser política” e que essa continuará a ser a sua mensagem e a do seu enviado especial, Staffan de Mistura.

Conselho de Segurança

Na terça de manhã, o Conselho de Segurança debateu a situação na Síria, incluindo sobre a cidade de Idlib. A Rússia informou como estão a decorrer as negociações com o Irã e a Turquia, que também participaram no encontro.

Antes da reunião, os Estados-membros fizeram um momento de silêncio em memória das vítimas dos atentados de 11 de setembro.

Iêmen

Da parte da tarde, o Conselho debateu a situação no Iêmen.

O encontro começou com o enviado especial das Nações Unidas sobre o Iêmen, Martin Griffiths, que falou por videoconferência desde Amã, da Jordânia.

Griffiths informou sobre a ronda de negociações que aconteceu na semana passada em Genebra, na Suíça. Ele afirmou que “mesmo que não tenha ido como planeado, foi possível relançar o processo político com apoio sólido do povo do Iêmen e da comunidade internacional”.  

O responsável disse que, ao longo deste processo, percebeu que “esta não é uma corrida entre soluções políticas e militares, mas sim uma corrida para salvar aquilo que resta das instituições do Estado o mais rápido possível”.