Tecnologias de ponta podem acelerar cumprimento de Agenda 2030

15 maio 2018

Novas técnicas permitem fabricar próteses mais baratas, ler exames médicos de forma mais rápida e decidir melhor momento para semear; novo relatório alerta que é preciso cuidado para não aumentar desigualdades.

 

As tecnologias de ponta podem ajudar a resolver os desafios económicos, sociais e ambientais do século 21, segundo um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

A pesquisa, lançada esta terça-feira, afirma que estas tecnologias são cada vez mais acessíveis e combinam-se de várias formas, acelerando a sua implementação em vários setores, mas que é preciso ter alguns cuidados.  

Aplicações

O responsável para Assuntos Económicos da Divisão de Tecnologia e Logística da Unctad, Clovis Freire, disse à ONU News que existem várias possibilidades para estas tecnologias.

A partir de Genebra, o especialista explicou que a ideia é ver estes desenvolvimentos como “novas ferramentas para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. ”

“Você pode utilizar sets com micro agulhas para vacinação. Então você não precisa de utilizar armazenamento refrigerado, e pode enviar vacinas para lugares bem remotos. É uma tecnologia, usando nanotecnologia e novos materiais, que pode ser usada na área da saúde. ”

O relatório inclui uma série de exemplos, como o uso de grandes volumes de informação, ou ‘big data’, para analisar e responder a surtos de doenças. Outra experiência é a das impressoras 3D, que são usadas em países de baixa renda para produzir próteses personalizadas e mais baratas.

Também são referidos sistemas de inteligência artificial que avaliam exames de forma mais fiável do que os médicos, libertando estes profissionais para atividades em que o toque humano é necessário, ou dispositivos que ajudam os agricultores a controlar as condições do solo e decidir qual a melhor altura para semear.

Acesso

Clovis Freire explica que estas novas tecnologias estão no limite daquilo que é permitido à ciência, mas isso não quer dizer que o seu custo seja demasiado alto.

“Uma das características desta tecnologia, na verdade, é que o preço vai diminuindo muito rápido com o tempo. Na realidade, o que seria uma preocupação com estas tecnologias, por exemplo com a inteligência artificial, é qual seria o impacto na quantidade de empregos. ”

O relatório alerta que o desenvolvimento pode tornar-se mais rápido do que a capacidade de mudança das sociedades, criando mais divisões e aumentando a desigualdade. Também pede um esforço internacional para apoiar estes tipos de inovação em países de baixa renda.

Debate

Freire diz que “essas são algumas questões que geram alguma preocupação e para as quais é preciso algum acompanhamento. ” Na área da biotecnologia, por exemplo, o especialista acredita que é preciso discutir “se existem algumas fronteiras que não podemos passar em termos éticos. ”

Freire afirma que não há consenso sobre quando o uso destas tecnologias se vai tornar comum nas sociedades, mas defende que o debate deve começar agora.

“O que é importante é que vemos, agora, uma relação entre estas tecnologias. Elas são combinadas e usadas em aplicações que potencializam os seus benefícios. A combinação destas tecnologias faz com que seja imprevisível como vai ser a sua adoção e como vão ser as suas novas aplicações. ”

O relatório foi lançado durante o encontro anual da Comissão da ONU para a Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, que acontece até sexta-feira em Genebra, na Suíça.

Apresentação: Alexandre Soares