Se confirmado, uso de armas químicas na Síria representa clara violação

10 abril 2018

Em nota, secretário-geral da ONU disse que está indignado com continuação de relatos sobre uso de armas químicas; ele disse que condena de forma veemente ataques a civis.

Horas após o Conselho de Segurança se reunir, em emergência, sobre o suposto uso de armas químicas na Síria, o chefe das Nações Unidas emitiu uma nota expressando indignação sobre o tema.

Segundo agências de notícias, o ataque com armas químicas contra civis ocorreu em Duma, perto da capital Damasco.

Investigação

António Guterres afirmou que está indignado com relatos do uso de armas químicas na Síria e condenou, fortemente, o ataque aos civis.

Para Guterres, qualquer confirmação da utilização dessas armas, por qualquer parte do conflito ou circunstância, representa uma violação clara da lei internacional além de ser repugnante.

O secretário-geral disse que a seriedade das alegações requer uma investigação imparcial e independente e realizada por peritos.

Ele voltou a declarar seu pleno apoio à Organização para Proibição de Armas Químicas, Opaq, e à Comissão de Apuração dos Fatos que atuam no caso.

Guterres afirma que a Comissão tem que receber acesso irrestrito para realizar seu trabalho.

Ele encerrou a nota apelando ao Conselho de Segurança a cumprir com suas obrigações e a alcançar unidade neste tema. Ele também pediu ao Conselho que redobre seus esforços para o consenso sobre um mecanismo de prestação de contas.

ONU/Loey Felipe
Secretário-geral da ONU, António Guterres.

Sessão de emergência

Na segunda-feira, o Conselho de Segurança realizou uma reunião de emergência sobre a Síria. Na sessão, o enviado especial para o país, Staffan de Mistura, alertou para um “aumento incontrolável” da violência.

De Mistura afirmou que “eventos recentes carregam mais do que nunca" o perigo de mover várias “linhas de fratura” no Oriente Médio. Mistura acredita que isso pode ter "consequências absolutamente arrasadoras e difíceis de imaginar.”

Sobre o alegado ataque químico, ocorrido no sábado, em Duma, o enviado especial disse que "as Nações Unidas não conseguem verificar de forma independente de quem é a responsabilidade."

Foto: Unicef/Amer Al Shami
Rua no leste de Gouta, na Síria

Décadas

A ONU recebeu relatos de que pelo menos 49 pessoas morreram e centenas foram feridas durante o ataque, segundo o secretário-geral assistente do Escritório para Assuntos de Desarmamento, Thomas Markram. Ele afirma que estes relatos são “profundamente perturbadores.”

Segundo ele, “àquilo a que se assiste na Síria não pode continuar incontestado por pessoas que valorizam as décadas de esforços para conseguir o desarmamento e a não-proliferação de armas de destruição em massa.”

Para Markram, o Conselho de Segurança precisa agir de forma unânime para evitar que “o uso de armas químicas se torne o novo status quo.”

O secretário-geral assistente disse ainda que o seu escritório está a trabalhar com a Organização para a Proibição de Armas Químicas, Opaq, para realizar uma investigação.

Esta segunda-feira, o diretor da agência, Ahmet Üzümcü, já tinha informado que uma missão está a recolher informações para decidir se foram usadas armas químicas.

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