Relatores dizem que assassinato de vereadora foi ato de intimidação de defensores

26 março 2018

Em comunicado sobre a morte de Marielle Franco, grupo de 10 especialistas independentes em direitos humanos também pediu investigação sobre a morte de oito pessoas na favela da Rocinha, em operação da polícia militar, no sábado.

Dez relatores independentes de direitos humanos das Nações Unidas afirmaram que o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 14 de março, foi profundamente alarmente.

Em comunicado conjunto, divulgado nesta segunda-feira, os especialistas disseram que a parlamentar era uma defensora importante dos direitos humanos que se opunha ao uso da força militar na cidade do Rio de Janeiro.

Evento político

Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros no centro do Rio de Janeiro quando voltavam de um evento político com mulheres negras.

Os relatores da ONU também lembraram que a vereadora do Partido Socialismo e Liberdade, Psol, era uma crítica ferrenha do decreto que autorizou a intervenção federal no Rio.

Para o grupo, “o assassinato dela é alarmante e teve o objetivo claro de intimidar todos os que lutam pelos direitos humanos e pelo Estado de direito no Brasil”.

Os relatores pediram às autoridades brasileiras que usem esse momento trágico para reavaliar, inteiramente, a promoção da segurança pública e especialmente aumentar a proteção dos defensores de direitos humanos.

Polícia militar

Ainda no comunicado, os especialistas lembraram que a vereadora, Marielle Franco iria integrar a força-tarefa para monitorar as intervenções de segurança no Rio. Poucos dias antes de ser assassinada, ela denunciou o uso da força pela polícia militar na Favela do Acari, no Rio de Janeiro.

No sábado, oito pessoas foram mortas numa operação policial da Favela da Rocinha. Para os relatores da ONU, a segurança pública jamais deveria custar a proteção dos direitos humanos.  O grupo pediu que os assassinatos incluindo o da vereadora sejam investigados de forma imparcial e independente.

Para eles, Marielle Franco eram uma grande defensora dos direitos humanos, dos direitos dos negros, das pessoas Lgbti, mulheres e jovens que vivem nas áreas mais pobres do Rio de Janeiro.

Para os relatores da ONU, a vereadora será sempre lembrada como um símbolo da resistência para as comunidades historicamente marginalizadas no Brasil.

 

*Os relatores não são funcionários da ONU nem recebem pagamento pelo seu trabalho junto ao Conselho de Direitos Humanos. O comunicado foi firmado pelos relatores: Dubravka Šimonović, Agnes Callamard, Tendayi Achiume, Michal Balcerzak, Victor Madrigal-Borloz, Alda Facio, Juan Pablo Bohoslavsky, Michel Forst,  Philip Alston, Leilani Farha.

 

 

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