Conselho de Direitos Humanos faz sessão de urgência sobre a Síria

2 março 2018

Alto comissário Zeid Al Hussein participou em debate em Genebra onde disse que justiça pode ser lenta, mas avança; ele afirma que que estão a ser cometidos crimes de guerra e, potencialmente, crimes contra humanidade.

O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Al Hussein, disse esta sexta-feira que o que está a se passar “em Ghouta Oriental e no resto da Síria são, muito provavelmente, crimes de guerra e, potencialmente, crimes contra a humanidade.”

O chefe da agência da ONU avisou que “os autores destes crimes devem ficar a saber que estão a ser identificados, que estão a ser construídos dossiers para fazer a sua acusação, e que serão julgados por aquilo que estão a fazer.”

Zeid falava num debate urgente sobre a situação em Ghouta Oriental, promovido  durante a sessão anual do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.

Justiça

Zeid disse que ninguém pode acreditar que haverá impunidade neste caso. Segundo ele, no passado alguns pensaram que sairiam impunes, mas acabaram presos. Um dos exemplos dados foi o do bósnio Ratko Mladic, que foi recentemente condenado por genocídio.

O alto-comissário disse que “as rodas da justiça podem ser lentas, mas avançam.” E que o Conselho de Direitos Humanos “pode ter um impacto real para garantir que vai ser feita justiça contra o sofrimento que foi infligido ao povo sírio.”

Ghouta Oriental

O chefe dos direitos humanos informou que o número de mortos registado em Ghouta Oriental está entre os mais altos desde o início da guerra na Síria, há sete anos.

Segundo ele, “pessoas que viviam num subúrbio normal – seres humanos que partilham os direitos e esperanças de todos nós – estão encurralados por bombas e privados de todos os seus direitos humanos, acima de tudo o direito à vida.”

O Fundo das Nações para a Infância, Unicef, também lançou uma nova atualização sobre a situação na Síria.

O diretor regional do Unicef, Geert Cappelaere, explicou que o mundo deu esperança às crianças do país no último fim-de-semana, quando aprovou uma resolução pedindo um cessar fogo de 30 dias, mas que “para estas crianças nada mudou”.

A agência informou estar preparada com todo o material necessário para salvar vidas, como medicamentos, suplementos alimentares, roupas e kits de higiene assim que houver uma pausa nos combates.

 

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