ONU quer mais apoio no combate ao uso de menores em conflitos
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12 fevereiro 2018

Este 12 de fevereiro é o Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado;  em 2017, mais de 5 mil crianças foram libertadas; representante do secretário-geral sobre o tema, Virginia Gamba, destacou programas de reintegração desses menores em suas comunidades.

Leda Letra e Alexandre Soares, da ONU News em Nova Iorque.

O compromisso internacional para acabar com o recrutamento de crianças no conflito armado levou à libertação de mais de 5 mil crianças soldado no ano passado.

Mas as Nações Unidas lembram que dezenas de milhares de outras continuam lutando em confrontos. As que estão livres enfrentam um processo de reintegração nas suas comunidades que é complexo e longo.

Processo

A representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflito Armado, explica que as ex-crianças-soldado precisam de todo o apoio. Virgínia Gamba foi entrevistada pela ONU News.

Segundo Virgínia Gamba, a reintegração precisa incluir assistência psicológica, recapacitação, educação e ajuda para que consigam um emprego. Para que isso seja feito com sucesso, é preciso de pelo menos três ou quatro anos, mas segundo a representante, muitos processos de reintegração duram só seis meses.

Estudo

O Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado é marcado neste 12 de fevereiro.

Sem um forte compromisso político e financiamento ao processo de reintegração, Gamba explica que muitos menores são novamente recrutados por grupos armados.

Um relatório lançado pela Universidade das Nações Unidas e pelo Unicef explora os motivos que levam as crianças a se tornarem soldados.

Falta de escolha

O documento diz que as “crianças não escolhem o conflito, mas crescem dentro dele”. Segundo o relatório, é a violência em que as crianças crescem que “reduz os caminhos disponíveis”.

Os autores “desconstroem a norma de que o extremismo violento e a ideologia são os principais responsáveis por conduzir as crianças para grupos armados” e que isso deve levar a uma mudança de políticas.

Já a promotora do Tribunal Penal Internacional, TPI, Fatou Bensouda, também se pronunciou sobre o assunto. Ela afirma que as investigações e julgamentos de crimes contra crianças é uma das metas estratégicas do Tribunal.

Ela lembra que uma infância livre da violência não é um privilégio, mas sim o estado natural das coisas e um direito que deve ser protegido.