ONU alerta que civis no Iêmen estão “à mercê de atiradores e ataques aéreos”
BR

12 fevereiro 2018

Afirmação é do chefe de Direitos Humanos, Zeid Al Hussein; segundo ele, ofensiva ocorre tanto pelos houthis como pela coalizão saudita; três crianças morreram em bombardeio na semana passada.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos demonstrou essa segunda-feira estar alarmado com o aumento da violência no Iêmen e o peso sobre os civis.

Zeid Al Hussein menciona os confrontos no sudoeste de Taiz, sendo que as forças dos Houthis e aliados utilizam franco-atiradores e bombas, enquanto a coalizão liderada pela Arábia Saudita continua a realizar ataques aéreos.

Crianças

Segundo Zeid, os civis em Taiz não conseguem escapar dos conflitos. O Escritório de Direitos Humanos pôde confirmar a morte de três crianças, vítimas de um bombardeiro das forças houthis no dia 6 de fevereiro.

Dois dias depois, uma funcionária da Comissão Nacional de Inquérito do Iêmen morreu em outro bombardeiro das forças houthis. Ela havia recebido treinamento do Escritório da ONU e Zeid Al Hussein envia condolências à família dela.

Medo

O aumento do confronto armado entre houthis e os que são fiéis ao presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi está gerando medo de que a violência se espalhe para além de Taiz.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU conseguiu confirmar pelo menos 27 mortes e 76 feridos no Iêmen entre os dias 1º e 8 de fevereiro – mais do que o dobro das vítimas da semana anterior.

Zeid Al Hussein lembra que os envolvidos no conflito têm a obrigação de poupar os civis, respeitando os princípios da distinção, proporcionalidade e da precaução.

O alto comissário destaca que qualquer ataque intencional ou direto aos civis é uma séria violação da lei humanitária internacional. Entre março de 2015 e 8 de fevereiro de 2018, o Escritório de Direitos Humanos registrou 5,9 mil mortos e quase 9,5 mil feridos pelo conflito no Iêmen.