Agência da ONU cria espaço seguros para meninas refugiadas em Angola

17 janeiro 2018

Uma das entrevistadas, de 17 anos, contou que ao envolver-se nas atividades organizadas pelo Unfpa, ela se esquece, por um tempo, de todas as preocupações e lembranças que tinha da República Democrática do Congo.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque. *

O Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, criou dois espaços apropriados para meninas e mulheres refugiadas congolesas que vivem no acampamento de Lóvua, em Angola.

As meninas fugiram do conflito em Kassai, na República Democrática do Congo, à procura de segurança na província angolana de Lunda Norte.

Tendas

No espaço, formado por duas tendas, o Unfpa oferece apoio emocional, conversas, informações e atividades de recreação. 

Uma das participantes, de 17 anos, contou que ao fazer parte das atividades, ela esquece, por um tempo, de todas as preocupações e lembranças que tinha de casa. 

A menina faz parte de um grupo de 35 mil refugiados de Kasai que fugiram para Angola. Ela teve que deixar sua casa em abril, quando homens armados invadiram o vilarejo em que vivia. Ao sair, somente com a roupa do corpo, viu cinco corpos decapitados em frente ao portão de casa.

A família teve sorte ao chegar inteira à fronteira com Angola, no mesmo dia.

Criminosos

Muitas meninas e mulheres falaram das atrocidades vividas com membros da família assassinados, mutilações e incêndios criminosos de propriedade. Violações sexuais também são notificadas.

Meninas e mulheres também enfrentam riscos durante crises humanitárias, até mesmo em campos de refugiados.

Especialistas dizem que já há relatos de violência de gênero nos assentamentos de refugiados em Angola.

A representante do Unfpa em Angola, Florbela Fernandes, contou que a violência também afeta a saúde da mulher, segundo ela o número de casos de pode ser ainda mais alto.

O assentamento de Lóvua está localizado a 100 quilómetros das fronteiras.

Ali, 15 refugiados foram contratados e capacitados como mobilizadores sociais para levar mulheres e jovens ao espaço e fornecer serviços.

Uma das mobilizadoras, Monique Kapinga, disse que muitas mulheres têm enormes preocupações.

O Unfpa também informa sobre direitos reprodutivos, serviços médicos e direitos humanos.  Cerca de 80 meninas têm aulas de drama e de dança, e quase 2 mil refugiadas já foram alcançadas pelos espaços riados pela agência.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

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