Ofensiva do governo sírio em Alepo tem tido “resultados terríveis”
BR

20 outubro 2016

Avaliação é do secretário-geral da ONU que destaca a morte de 500 pessoas e quase 2 mil feridas; ações podem ser classificadas como crimes de guerra e contra a humanidade; nenhum comboio da ONU entra no leste da cidade desde julho.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A Assembleia Geral da ONU realizou na tarde desta quinta-feira um debate sobre a situação humanitária na Síria. O secretário-geral da ONU declarou que “sobraram poucas palavras para descrever a tragédia síria”.

Na avaliação de Ban Ki-moon, a ofensiva do governo sírio no leste de Alepo, iniciada em 23 de setembro, tem resultado no “mais intenso bombardeio aéreo desde que o conflito começou”.

Fome

Para Ban, os resultados da ofensiva “tem sido terríveis”, porque quase 500 pessoas foram mortas e 2 mil ficaram feridas. Muitas das vítimas eram crianças. Com o cerco no leste de Alepo, nenhum comboio da ONU consegue chegar à área desde 7 de julho.

O secretário-geral denunciou que a fome está sendo utilizada como arma de guerra e as porções de comida devem acabar até o fim do mês.

Ao mesmo tempo, Ban Ki-moon elogiou a pausa nos bombardeios anunciada pela Rússia, o que poderá permitir a entrada de medicamentos na cidade. Ele lembrou que as pessoas questionam quando a comunidade internacional estará unida para “acabar com a carnificina”.

Crime de Guerra

Os esforços diplomáticos continuam, segundo Ban, mas ele lamenta que o Conselho de Segurança tenha falhado em garantir paz e segurança para a Síria. O chefe da ONU reforça que não existe solução militar para o país e uma transição política crível deve continuar sendo o foco central dos esforços.

Segundo Ban, graves violações de direitos humanos foram cometidas na Síria nos últimos anos, sendo que várias ações podem ser crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele pediu aos países-membros da ONU cooperação e respeito à “responsabilidade coletiva de proteger” civis.

O enviado especial da ONU para a Síria está em Genebra e participou do encontro por videoconferência. Staffan De Mistura também elogiou o anúncio de pausa nos confrontos, mas destacou que muito mais precisa ser feito.

Ele espera que o acordo facilite a saída de Alepo de centenas de pessoas doentes ou feridas. A retirada dessas pessoas deve começar já nesta sexta-feira. De Mistura lembra que o cessar-fogo é temporário e que ainda existem muitos obstáculos para a paz duradoura na Síria.

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