Peritos realçam aposta de aliar tecnologia nuclear à produção de alimentos

Peritos realçam aposta de aliar tecnologia nuclear à produção de alimentos

Agência Internacional de Energia Atómica defende aumento de produção alimentar em 70% até 2050; cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem, por ano, nos países em desenvolvimento devido à contaminação de alimentos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea,  chamou a atenção dos países para a necessidade de maior uso da tecnologia nuclear perante o que considera ameaça da disponibilidade, abundância e segurança alimentar.

Até 2050, a produção global de comida segura e nutritiva deve aumentar em 70% para alimentar à crescente população mundial, refere a agência.

Contributo

Falando à Rádio ONU, da capital austríaca, Viena, o professor Winfred Blum falou do contributo da tecnologia nuclear para a produção. O académico da Universidade de Recursos Naturais e Ciências Vitais participou no Fórum Científico da Aiea, que terminou esta quarta-feira.

“Estamos perdendo grandes superfícies de solos devido à urbanização, erosão de solos, compactação, salinização e outros. Perdemos anualmente a nível mundial milhares de quilómetros quadrados de terra fértil, deste modo, quando enfrentamos o desafio de produzir mais, esta deve ser feita áreas que passo a passo se reduzem intensivamente”, explicou.

Contaminação

De acordo com o académico 2,2 milhões de pessoas morrem, anualmente, nos países em desenvolvimento devido à contaminação de alimentos. A aposta da Aiea é impulsionar as tecnologias nucleares para deter o problema.

“Estas técnicas de energia nuclear são muito importantes porque permitem dosear melhor os pesticidas, os fertilizantes e elementos destrutivos, para evitar uma lixiviação destes produtos para o lençol freático, que contaminam a água potável e causam enormes problemas. Não vou dar nomes conheço países do mundo onde estudei, na semana passada:  Num grande país na Ásia, cujo nome não vou revelar,  a poluição de água subterrânea por poluição agrícola, é um problema enorme”, referiu.

Países em Desenvolvimento

No Fórum de Viena, o diretor geral da Aiea, Yukiya Amano reafirmou o que chamou “posição única” da entidade para colocar a tecnologia nuclear à disposição dos países em desenvolvimento.

Em colaboração com a organização para a Agricultura e Alimentação a  agência intervém em mais de 200 projetos em cerca de 100 países.