Acnur preocupado com combates que mataram dezenas de centro-africanos

30 junho 2017

Cidade de Bria registou 136 mortos e centenas de casas incendiadas esta semana; agência não consegue avaliar escala de danos devido aos combates; missão de paz frusta ataque às instalações do Acnur por homens armados.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, revelou “muita preocupação” com a violência provocada por grupos de autodefesa e outros agrupamentos armados da República Centro-Africana.

Nas últimas semanas pelo menos 21,5 mil pessoas fugiram para a República Democrática do Congo, RD Congo. Este ano, um quinto dos 503 mil deslocados centro-africanos teve que abandonar as suas casas. Mais de 484 mil pessoas deixaram o país para as nações vizinhas.

Civis

O Acnur destaca que os ataques registados esta semana nas cidades de Zemio, Bria e Kaga Bandaro fizeram vítimas civis que incluem trabalhadores humanitários.

De acordo com a agência, os combates no norte e no sul impedem o pessoal do Acnur e de outras agências humanitárias de avaliar a dimensão dos danos ou do deslocamento.

Segurança frágil

Apesar da segurança frágil, mais de 5 mil famílias receberam artigos de socorro que incluem plásticos, cobertores, colchões, mosquiteiros, kits de cozinha, baldes e sabão ao longo das últimas três semanas em Bria.

Na área do nordeste do país, várias pessoas fugiram para o mato depois de iniciarem os ataques a 20 de junho. Todos os residentes abandonaram um acampamento com milhares de deslocados. Pelo menos 136 pessoas perderam a vida, 36 ficaram feridas e centenas de casas foram queimadas.

Os fugitivos dizem ter testemunhado ataques brutais, assassinatos, saques e sequestros.

O Acnur disse que são ouvidos sons de disparos de artilharia pesada desde terça-feira em Zemio, próximo da fronteira congolesa. Casas vizinhas do escritório da agência foram incendiadas e milhares de pessoas fugiram da área.

Entre as vítimas estão congoleses que viviam num acampamento invadido por homens armados. O ato provocou a fuga dos habitantes que retornaram ao seu país.

Na quarta-feira, as forças da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, frustraram um ataque às instalações do Acnur em Kaga Bandaro, a norte. Os homens armados teriam a intenção de atacar a equipa e saquear bens.

 

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