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Escassez generalizada de alimentos ameaça milhões de pessoas na RD Congo

Uma mulher recebe assistência financeira de um funcionário do WFP durante uma distribuição na República Democrática do Congo.
PMA/Michael Castofas O PMA fornece transferências em dinheiro na República Democrática do Congo.

Escassez generalizada de alimentos ameaça milhões de pessoas na RD Congo

Paz e segurança

Confrontos armados e violência interrompem atividades agrícolas, aumentando a insegurança alimentar; Programa Mundial de Alimentos levou assistência a mais de 1,2 milhão de pessoas em julho, mas enfrenta falta de financiamento; apenas 22% dos recursos necessários foram garantidos.

A instabilidade política e os conflitos na República Democrática do Congo, RD Congo, debilitaram os sistemas de produção e distribuição alimentar. A afirmação é do diretor nacional do Programa Mundial de Alimentos, PMA, Peter Musoko.

Falando a jornalistas de Kinshasa, capital da RD Congo, ele enfatizou que 1,5 milhão de pessoas enfrentam “níveis emergenciais de insegurança alimentar nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e do Sul”, localizadas no leste do país. 

Enorme crise alimentar

Musoko afirmou que “agricultores nessa região estão enfrentando constantes ameaças de violência”, o que está levando o país a uma “enorme crise alimentar”. 

Os principais motivos são o deslocamento de pessoas, a destruição da infraestrutura e a interrupção das atividades agrícolas. Segundo ele, a combinação desses fatores está levando “à escassez generalizada de alimentos” e ao aumento da vulnerabilidade à fome.

Cerca de 6,3 milhões de pessoas estão deslocadas internamente no país. Desse total, aproximadamente 6 milhões vivem nas três províncias orientais. 

De acordo com Musoko, o conflito no leste da RD Congo é uma crise que causa impactos na insegurança alimentar, na desnutrição, na saúde, na educação, no acesso à água potável e ao abrigo.

Francine e seu filho, Dieme, no centro de saúde de Rusayo, onde receberam assistência nutricional. Francine e seus três filhos foram forçados a deixar sua aldeia devido ao conflito incessante no leste da República Democrática do Congo. Eles estão vivendo no campo de Rusayo para pessoas deslocadas internamente.
PMA/Michael Castofas Francine e seus três filhos foram forçados a deixar sua aldeia devido ao conflito implacável no leste da RD Congo. Eles agora recebem apoio do PMA em um campo para deslocados em Kivu do Norte.

Falta de financiamento

A desnutrição afeta 4,4 milhões de pessoas, enquanto a falta de acesso a serviços essenciais piorou a proteção de civis e potencializou a violência de gênero.

O diretor nacional do PMA lamenta que, apesar de ter ajudado cerca de 1,2 milhão de pessoas em julho, a agência recebeu financiamento limitado.

Cerca de 78% dos recursos necessários para os próximos seis meses ainda não foram recebidos. Na prática, o PMA precisa de US$ 728 milhões, mas a lacuna de financiamento para atuar na região leste é de US$ 567 milhões. 

Musoko afirmou que “o custo da falta de ação tem consequências incalculáveis para as pessoas.” Ele disse que a RD Congo precisa de atenção e apoio imediatos “para evitar uma catástrofe humanitária.” 

O diretor nacional do PMA pediu a “atenção imediata” de governos, doadores e parceiros humanitários para este momento de necessidade em territó