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Conselho de Segurança aprova retirada de Missão de Paz do Mali

Membros do Conselho de Segurança da ONU votam durante uma reunião na sede das Nações Unidas , em Nova Iorque.
ONU News Votação sobre o término do mandato de Minusma

Conselho de Segurança aprova retirada de Missão de Paz do Mali

Paz e segurança

Após pedido de “retirada imediata” pelo país africano, em 16 de junho, órgão da ONU adota a resolução que prevê saída das forças até 31 de dezembro; Brasil afirma que o consentimento da nação anfitriã é “essencial” para qualquer missão de paz. 

O Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, o fim da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização do Mali, Minusma, que começou em 2013.

A resolução S/2023/480 foi apresentada pela França após o pedido do governo do Mali, em 16 de junho, de “retirada imediata” da missão do país. 

Proteção de civis até setembro

A resolução estabelece o fim imediato do mandato da Minusma e o início da saída das forças de paz do país africano a partir deste 1° de julho. Atualmente, mais de 13 militares servem no Mali. O total de boinas-azuis é de 17,4 mil integrantes.

Segundo a resolução, a Missão de Paz deve cessar suas operações, transferir suas tarefas e realizar “a retirada ordenada e segura de pessoal, com o objetivo de concluir este processo até 31 de dezembro de 2023”.

Entretanto, o mandato da missão de proteger civis vai ser preservado até o final deste setembro. 

O documento afirma que a Minusma “está autorizada a responder ameaças iminentes de violência contra civis e contribuir para a entrega segura de assistência humanitária liderada por civis”.

Um soldado de manutenção da paz com capacete azul está perto de um veículo blindado com uma bandeira da ONU em Ménaka, Mali.
Minusma/Harandane Dicko Soldados da paz do contingente nigeriano da Minusma fornecem segurança no leste do Mali

 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu a "cooperação total" do governo de transição do Mali para garantir uma "retirada ordenada e segura" nos próximos meses. 

Guterres também demonstoru preocupação com o nível e a duração baixos dos compromissos financeiros para o processo de transição. Segundo ele, este é um fator que aumenta "as complexidades e os riscos da operação de retirada."

Considerações do Brasil

Dentre os países de língua portuguesa na sessão, o Brasil afirmou que nutria “esperança na renovação do mandato da Minusma”, no início das negociações, mas que as preocupações do governo do Mali precisavam ser levadas em conta.

O embaixador João Genésio de Almeida Filho afirmou que “o consentimento do governo anfitrião é essencial para qualquer operação de paz.” Ele pediu uma atitude “construtiva” do Mali na transição e na busca pela “paz duradoura.”

Compromissos e agradecimentos feitos pelo Mali

Já o representante do Mali alegou que “a Minusma não atingiu seus objetivos fundamentais”, mas elogiou as “contribuições humanitárias e sociais” da Missão. 

Segundo ele, o Mali vai “garantir a segurança do pessoal, unidades, instalações e propriedades da Minusma até a data de partida acordada” e lamentou que o Conselho de Segurança “continue considerando a situação no país uma ameaça para a paz e segurança internacionais”. 

Preocupações com os próximos passos

Os membros do Conselho levantaram a possibilidade de flexibilizar os prazos, caso seja necessário, e cobraram compromisso do Mali com a realização de eleições livres e justas em fevereiro de 2024. 

A Minusma é considerada uma das missões mais perigosas para as forças de manutenção da paz. 

Desde a sua criação, em 2013, até fevereiro deste ano, 168 boinas azuis perderam a vida em atos violentos no país africano.