Relatores querem investigação internacional sobre explosão de Beirute em 2020
BR

4 agosto 2022

Objetivo é garantir justiça para as vítimas; explosão no Líbano, em 2020, matou mais de 200 pessoas; segundo especialistas em direitos humanos, processo de investigação nacional foi obstruído várias vezes; país continua em crise e moeda libanesa perdeu mais de 95% de seu valor nos últimos dois anos.

Um grupo de relatores independentes da ONU* pediu ao Conselho de Direitos Humanos que realize uma investigação internacional sobre a explosão que ocorreu em Beirute, há dois anos. O objetivo é garantir justiça para as vítimas.

A grande explosão, causada por um estoque de nitrato de amônio em um armazém portuário, ocorreu em 4 de agosto de 2020 e matou mais de 200 pessoas. Uma vasta área da capital libanesa foi destruída.

Vista do Porto de Beirute, danificado pela explosão em agosto
Ocha
Vista do Porto de Beirute, danificado pela explosão em agosto

Investigação

Há dois anos, logo após a explosão, 37 especialistas em direitos humanos da ONU emitiram uma declaração conjunta pedindo ao governo libanês e à comunidade internacional que respondessem aos pedidos de justiça e restituição. Mas, segundo os especialistas, o processo de investigação nacional foi obstruído várias vezes.

As famílias das vítimas apelaram à comunidade internacional para estabelecer uma investigação independente através do Conselho de Direitos Humanos, na esperança de conseguirem respostas que as autoridades libanesas não forneceram.

Os especialistas relataram que a “tragédia marcou uma das maiores explosões não nucleares da memória recente, mas o mundo não fez nada para descobrir por que aconteceu”.

Eles disseram estar desanimados que as pessoas no Líbano ainda aguardam justiça, e pediram que uma investigação internacional seja iniciada o mais rápido possível.

Secretário-geral António Guterres visitou o porto de Beirute, onde ocorreu uma explosão em 2020.
Foto: UN Photo/Eskinder Debebe
Secretário-geral António Guterres visitou o porto de Beirute, onde ocorreu uma explosão em 2020.

Negligência e corrupção

Recentemente, os relatores visitaram o país e descobriram que a responsabilidade pela explosão ainda não foi estabelecida, as áreas afetadas permanecem em ruínas e os fundos de reconstrução da comunidade internacional mal começaram a chegar aos legítimos beneficiários.

Para eles, a explosão e suas consequências trouxeram à tona problemas sistêmicos de governança negligente e corrupção generalizada no Líbano.

Com o país em crise, o acesso a alimentos e outros recursos continua ameaçado. O Líbano importa até 80% de seus alimentos, e a explosão danificou o principal ponto de entrada do país e o silo de grãos.

Um distrito comercial em Beirute, Líbano
© Banco Mundial/Dominic Chavez
Um distrito comercial em Beirute, Líbano

Luta diária

Os libaneses também estão lutando para ter acesso a combustível, eletricidade, remédios e água potável; a moeda perdeu mais de 95% de seu valor nos últimos dois anos, e a taxa média de inflação em junho foi de cerca de 210%, de acordo com os especialistas.

Eles disseram que alguns países prometeram ajudar as pessoas no Líbano após a explosão, mas até agora não fizeram o suficiente para levar justiça e iniciar uma investigação internacional.

 

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

 

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