ONU: Colômbia precisa de ações urgentes para conter violência rural BR

Comunidades indígenas de Cauc, na Colômbia, estão tendo que lidar com sofrimento e violência inaceitáveis.
ONU Colombia
Comunidades indígenas de Cauc, na Colômbia, estão tendo que lidar com sofrimento e violência inaceitáveis.

ONU: Colômbia precisa de ações urgentes para conter violência rural

Paz e segurança

Em comunicado, alta comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, citou aumento da criminalidade por grupos armados não-estatais e organizações que impactam mulheres, crianças, indígenas, afrodescendentes e ativistas.

Um relatório das Nações Unidas apela ao novo governo da Colômbia a tomar ações urgentes para reprimir o aumento da violência por grupos armados não-estatais e outras organizações criminosas no país.

Em comunicado, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, disse que o nível de violência em áreas rurais está aumentando. 

Tráfico de drogas, mineração ilegal e aumento de assassinatos

O novo governo deve tomar posse em agosto na Colômbia. Bachelet afirmou que as maiores vítimas da violência rural são mulheres e crianças, ativistas e defensores de direitos humanos, indígenas e afrodescendentes.

Alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
Foto: ONU News/Daniel Johnson
Alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.

 
Em 2016, o país sul-americano firmou acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, o que levou a uma queda no nível de violência, na época. O número de assassinatos, por exemplo, caiu de 12.665 em 2012 para 1.328 em 2016.
 
Mas nos últimos dois anos, a tendência reverteu com uma alta de ações por organizações criminosas e grupos armados não-estatais geralmente envolvidos com o tráfico de drogas e mineração ilegal, que estão se ampliando em várias regiões da Colômbia.
 
A resposta do Estado, que foi predominantemente militar, falhou em conter a expansão dos criminosos. Um outro problema é a falta de oportunidades de trabalho e educação para os colombianos. Muitas crianças e adolescentes acabam sendo recrutados por esses grupos armados.

Direito de ir e vir e postos de controle criminosos

No ano passado, o Escritório de Direitos Humanos da ONU na Colômbia documentou o assassinato de 100 defensores de direitos humanos.

Somente entre 1 de janeiro e 30 de junho deste ano, 114 ativistas haviam sido assassinados. Deste total, 22 casos foram verificados.
 
Os bandidos estão adotando várias táticas para controlar as comunidades incluindo a imposição de restrição do direito de ir e vir das pessoas.
 
Um dos ativistas de direitos humanos do departamento de Arauca contou que os criminosos fazem postos de controle com armamento pesado, e checam o celular dos moradores que têm que pedir permissão para sair do local onde vivem.

 
Estado deve proteger todos: indígenas e afrodescendentes ameçados

Em alguns casos, indígenas e afrodescendentes são forçados a participar de atividades ilícitas abandonando seus costumes tradicionais como pesca e caça. 
 
No departamento de Causa, os indígenas Nasa estão sendo ameaçados e atacados há tempo. Nos primeiros meses deste ano, quatro líderes indígenas foram assassinados. 

Nos últimos dois anos, Colômbia observa alta de ações por organizações criminosas e grupos armados não-estatais
Unsplash/BryanBravo
Nos últimos dois anos, Colômbia observa alta de ações por organizações criminosas e grupos armados não-estatais

 

Eles são ameaçados por pessoas controlando o tráfico de drogas, as indústrias extrativistas e a violência rural.

O relatório da ONU afirma que desmantelar esses grupos criminosos deve ser uma prioridade do novo governo colombiano assim como a consolidação do Estado de direito, o fortalecimento das instituições públicas e a erradicação das plantações de coca por alternativas de plantio.

A alta comissária Michelle Bachelet afirma que é o dever do Estado proteger a população da violência e de fazer isso de uma forma que respeite a lei internacional de direitos humanos.

Leia o relatório na íntegra. (Em Espanhol)