Na ONU, mostra exibe trajes de vítimas e sobreviventes de abuso sexual BR

Mostra quer chamar a atenção para as barreiras de acesso à justiça
Iniciativa Spotlight
Mostra quer chamar a atenção para as barreiras de acesso à justiça

Na ONU, mostra exibe trajes de vítimas e sobreviventes de abuso sexual

Direitos humanos

“O que você estava vestindo?” é o tema de uma exposição que também aborda obstáculos de acesso à justiça, além de dimensão do tipo de agressão e relatos sobreviventes.

A mostra “O que você estava vestindo?”, instalada na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, reúne 103 peças de roupa de sobreviventes de abuso sexual em nível global. As vestimentas expostas são as que as vítimas trajavam ao sofrerem os ataques.

O objetivo é chamar a atenção para as barreiras de acesso à justiça que são enfrentadas por sobreviventes de violência sexual. Entre as questões realçadas na mostra estão a intensidade do tipo de agressão e os relatos de sobreviventes.

Violência  

O trabalho foi feito em parceria entre as Iniciativas Rise, em defesa de direitos civis, e Spotlight, das Nações Unidas e da União Europeia.

Entre os depoimentos de vítimas, está o testemunho da cantora e ativista norte-americana Paris Hilton. Como sobrevivente de violência, ela conta que dois homens a acordaram e a algemaram quando tinha 16 anos.

Trabalho foi feito em parceria entre as Iniciativas Rise, em defesa de direitos civis, e Spotlight da ONU e UE
ONU News/Elizabeth Scaffidi
Trabalho foi feito em parceria entre as Iniciativas Rise, em defesa de direitos civis, e Spotlight da ONU e UE

 

Ela atravessou fronteiras estaduais até uma unidade de tratamento residencial. Por dois anos, ela sofreu violência física e psicológica do pessoal do local. Sem nada poder fazer, Hilton desabafa que agora está envolvida nesta ação porque a situação ainda ocorre.

Já a sobrevivente Kadijatu Grace disse que aqueles que uma vez pensaram que podiam destrui-la, estavam na verdade lhe dando uma plataforma. Agora, ela promete nunca parar de cantar e nem de contar sua história.

Sobreviventes

Entre as roupas exibidas no edifício da ONU estão peças de Jessica Long: um vestido azul, meia-calça preta e botas. Ela conta que era assim que estava na noite em que foi drogada e estuprada. Depois, ela foi largada sozinha para morrer.

A sobrevivente Samantha Mccoy destaca que o ela estava vestindo não deveria importar. Ela destaca ainda que o lugar geográfico onde reside não deveria ditar o tipo de atendimento com os cuidados adequados para a situação.

Outra vítima de violência, Britney Lane, disse que não tem como mudar o que aconteceu na noite em que foi atacada, mas pode atuar para mudar o sistema e garantir que ninguém passe pelo mesmo tipo de frustração.

Ataque

A Fundadora da Rise é Amanda Nguyen, cujo traje veste um dos manequins das sobreviventes. Ela diz que ali está exposta a história coletiva de progresso e explica que isso significa que ninguém é impotente quando se une.

No local da exposição, a vice-secretária das Nações Unidas, Amina Mohammed disse que a mostra é uma inspiração para todos para que se insurjam contra a violência de gênero.

Exposição realça intensidade e relatos de sobreviventes do abuso sexual
Iniciativa Spotlight
Exposição realça intensidade e relatos de sobreviventes do abuso sexual

 

Para a vice-chefe da ONU, a liderança das sobreviventes ajudará outros a encontrar forças para desafiar os sistemas que silenciam os sobreviventes.

Responsabilidade

A Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que 35% das mulheres em todo o mundo sobreviveram à violência sexual.

Para o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, a exposição deve ser um catalisador para incitar conversas importantes sobre a responsabilidade coletiva pelo fim da violência a mulheres e meninas.

Sem uma resolução focada exclusivamente na proteção de sobreviventes de violência sexual. No entanto, o órgão aprovou por unanimidade um novo item da agenda anual prevendo que sobreviventes de agressão sexual tenham acesso à justiça.

A proposta foi apresentada pela Serra Leoa com o apoio da Rise.