No Conselho de Segurança, Guterres renova o apelo ao fim do “ciclo de mortes na Ucrânia”
BR

6 maio 2022

Secretário-geral da ONU fez um balanço da sua visita à Rússia e à Ucrânia, ocorrida na semana passada e garantiu não ter medido palavras nos encontros que teve com Putin e Zelensky; Nações Unidas continuarão ampliando operações de ajuda humanitária no terreno.

No fim da tarde de quinta-feira, os embaixadores dos 15 países membros do Conselho de Segurança ouviram um balanço do secretário-geral da ONU sobre sua visita recente à Rússia e à Ucrânia.
António Guterres esteve nos dois países em conflito na semana passada, onde encontrou-se com os presidentes Vladimir Putin e Volodimyr Zelensky. 

Mais uma operação de retirada de civis em Mariupol

Civis deixam a área da fábrica de Azovstal em Mariupol, na Ucrânia, durante uma operação de passagem segura de cinco dias.
ICRC
Civis deixam a área da fábrica de Azovstal em Mariupol, na Ucrânia, durante uma operação de passagem segura de cinco dias.

Ao Conselho de Segurança, Guterres afirmou não ter medido palavras nas conversas com os dois líderes, voltando a destacar que “a invasão da Rússia à Ucrânia é uma violação da integridade territorial e da Carta das Nações Unidas”. 

O chefe da ONU renovou o seu apelo ao fim imediato do “ciclo de mortes, destruição e deslocamentos” e lembrou que visitou uma zona de guerra na Ucrânia sem qualquer “perspectiva de cessar-fogo, uma vez que o leste do país continua enfrentando ataques em larga escala.”

Guterres explicou que durante sua reunião com o presidente Putin, ele destacou a “importância de se permitir o acesso de ajuda humanitária e de evacuações de pessoas de áreas sitiadas”, especialmente de Mariupol.

Nesta semana, um comboio liderado pela ONU e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha conseguiu retirar da área mais de 400 pessoas. Uma terceira operação está em andamento, mas Guterres preferiu não fornecer mais detalhes por questões de segurança. 

Insegurança alimentar global

Colheita de trigo perto da vila de Krasne, na Ucrânia.
FAO/Anatolii Stepanov
Colheita de trigo perto da vila de Krasne, na Ucrânia.

O chefe da ONU reforçou que a organização continuará ampliando a ajuda humanitária para reduzir o sofrimento dos ucranianos e salvar vidas. No Conselho de Segurança, ele mencionou também a importância de se encontrar uma solução para a insegurança alimentar global, “que passe pela reintegração da produção agrícola ucraniana e da produção de fertilizantes da Rússia e Belarus, apesar da guerra”.

O chefe do Escritório Humanitário da ONU, Ocha, Martin Griffiths, também falou ao Conselho de Segurança, destacando que mais de 13 milhões de civis já abandonaram suas casas desde o início do conflito e lembrou de “idosos e outras pessoas que não puderam fugir, sem conseguir buscar abrigo das bombas ou receber informações sobre planos de evacuação.”

Violência sexual

Mulheres ucranianas caminham em frente a tendas montadas em Medyka, na Polônia, para ajudar refugiados que fogem do conflito
© Daniele Aguzzoli
Mulheres ucranianas caminham em frente a tendas montadas em Medyka, na Polônia, para ajudar refugiados que fogem do conflito

Griffiths falou ainda sobre o aumento das alegações de violência sexual contra meninas, mulheres, meninos e homens. 

Até o momento, a ONU conseguiu fornecer ajuda a mais de 4,1 milhões de pessoas em 24 regiões da Ucrânia. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, participou virtualmente da reunião do Conselho de Segurança.

De Genebra, ela descreveu relatos de pessoas mortas em Mariupol, incluindo um homem assassinato “em frente de sua mulher e de seus filhos” e destacou parecer não haver “fim à vista para os relatos diários de civis mortos e feridos”. 

 

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