Guterres quer ação para travar iminente colapso da economia do Afeganistão 
BR

11 outubro 2021

Prioridades para a comunidade internacional incluem injetar liquidez no país; chefe da ONU quer cumprimento de promessas do Talibã sobre liberdades de mulheres e meninas; ação humanitária levou cuidados de saúde a 450 mil pessoas num mês. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou esta segunda-feira que o mundo deve agir e injetar liquidez na economia afegã para evitar o colapso. 

Falando em Nova Iorque, o chefe das Nações Unidas disse a jornalistas que a ajuda humanitária é essencial, mas essa atuação não resolverá o problema do país se a economia entrar em falência.  

Respirar  

Para evitar o pior cenário, Guterres apela aos Estados-membros que façam tudo o que estiver ao seu alcance. 

O líder da ONU explicou que a intenção é fazer com a economia afegã possa respirar e permitir que as pessoas sobrevivam. Ele apontou que o reconhecimento e a forma de lidar com as atuais autoridades são questões totalmente diferentes, com as quais se deve priorizar a observação de leis internacionais.

Secretário-geral da ONU, António Guterres
Foto: ONU News
Secretário-geral da ONU, António Guterres

 

O secretário-geral explicou ainda que já antes da tomada do poder pelo Talibã, em agosto, a frágil economia do Afeganistão foi movida pela ajuda estrangeira nos últimos 20 anos. Mas lembrou que o país asiático sofre com a seca e a pandemia. 

Neste momento, a situação agrava-se por fatores como ativos congelados, ajuda ao desenvolvimento interrompida e economia em iminente colapso. Os bancos estão fechando e serviços essenciais, como saúde, foram suspensos em muitos lugares. 

Leis 

Guterres defende ainda que sejam encontradas maneiras de permitir um alívio à economia afegã sem violar as leis internacionais ou comprometer princípios. 

Chefe da ONU lembra que mulheres têm um papel importante nos 80% da economia informal
Unama/Shamsuddin Hamedi
Chefe da ONU lembra que mulheres têm um papel importante nos 80% da economia informal

 

Ele destacou que o mundo deve ajudar a criar condições que permitiriam que os profissionais e funcionários públicos continuem trabalhando para servir a população local. 

Um dos temas enfatizados por Guterres foram as promessas de permitir o retorno, os postos de trabalho e a garantia de direitos básicos a mulheres. Para meninas, ele apontou a importância do acesso efetivo a todos os níveis de educação, tal como meninos. 

O líder das Nações Unidas disse estar particularmente alarmado com o atual incumprimento que “leva a sonhos desfeitos” de mulheres e meninas. Ele disse haver contacto com as atuais autoridades que, embora com dificuldades, irão prosseguir. 

Liberdades 

Guterres falou de um acordo em setembro sobre liberdades de trabalho que foi conseguido em seis províncias, das três onde estas liberdades existiam no princípio do período. Entendimentos parciais foram alcançados em 20 regiões, mas ainda faltam acordos em quatro. Em seis províncias, ainda não houve possibilidade de engajamento. 

Estudantes afegãs participam de uma apresentação de teatro em uma escola em Herat, leste do Afeganistão
Unama/Fraidoon Poya
Estudantes afegãs participam de uma apresentação de teatro em uma escola em Herat, leste do Afeganistão

 

Desde 2001, a ONU aponta que 3 milhões de meninas se matricularam num centro de educação. A escolaridade média no país aumentou de seis para 10 anos. 

O secretário-geral pede que mulheres e meninas estejam o centro das atenções no Afeganistão. Ele destaca que a capacidade destes grupos para aprender, trabalhar, possuir bens e viver com direitos e dignidade definirá o progresso nacional. 

O chefe da ONU lembra que elas têm um papel importante nos 80% da economia informal, ressaltando que não há como fazer recuperar a economia e a sociedade sem as afegãs. 

Operação humanitária 

Na coletiva, Guterres fez um apelo veementemente para que o Talibã mantenha suas promessas às mulheres e meninas e cumpra as obrigações de acordo leis internacionais e de direitos humanos. 

Crianças brincam em acampamento para desalojados em Herat, Afeganistão
Foto: © UNICEF/Sayed Bidel
Crianças brincam em acampamento para desalojados em Herat, Afeganistão

 

A ONU alerta que a crise humanitária vem agravando, apesar da resposta em curso. Pelo, menos 18 milhões de pessoas, ou metade da população do país, está afetada pela situação. 

A operação humanitária internacional enfrenta deficiências financeiras, desafios logísticos e uma “situação geopolítica cada vez mais complexa”. Pelo menos 3,8 milhões de pessoas receberam assistência alimentar em setembro. 

Um total de 21 mil crianças e 10 mil mulheres foram tratadas para desnutrição aguda. Cerca de 450 mil pessoas beneficiaram de cuidados de saúde “num momento de corrida contra o tempo para entregar ajuda essencial”.  

 

 

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