Moçambique quer garantias de acesso equitativo às vacinas de Covid-19

27 setembro 2021

Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação discursou na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU; Verónica Macamo falou sobre esperança em superar pandemia e enfatizou primeira candidatura a membro não-permanente do Conselho de Segurança.  

O combate ao coronavírus em Moçambique foi um dos temas centrais do discurso do país durante a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que termina nesta segunda-feira, em Nova Iorque.  

Durante a intervenção, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação afirmou que Moçambique tomou várias medidas para combater a pandemia, incluindo “aumento da capacidade de testagem, campanhas sobre prevenção dentro das comunidades” e restrições. 

Vacinas são bem essencial  

Verónica Macamo ressaltou, entretanto, que o país tem dificuldades para ter acesso a mais vacinas contra a Covid-19 e lembrou do papel do setor privado e de parceiros internacionais na ampliação do acesso ao imunizante. 

“As vacinas constituem, hoje, um bem essencial que está intrinsecamente ligado ao direito à vida, um direito que todos os nossos Estados deveriam defender. A escassez de recursos impõe que renovemos o nosso apelo à Comunidade Internacional para canalizar o seu apoio para, de forma conjunta, podermos combater a Covid - 19 com sucesso.” 

Verónica Macamo afirmou que o “impacto da pandemia influenciou na desaceleração econômica de Moçambique para níveis negativos em 2020.” 

Terrorismo em Cabo Delgado  

O crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, do país este ano deve ser de apenas 1,3%, mas a chefe da diplomacia moçambicana prevê um crescimento mais sólido a partir de 2022.  

Durante o discurso, a representante destacou os impactos do terrorismo para o continente africano. 

“A África está entre os continentes mais afectados pelo terrorismo e pelo extremismo violento. No nosso país, actuam em alguns distritos da província de Cabo Delgado, no norte do país.O nível de destruição do tecido económico e social, as atrocidades e massacres, a destruição de infraestruras e pilhagem de bens das comunidades, semearam luto, dor e sofrimento profundos que gerou uma situação de emergência humanitária sem precedentes.”  

Um assento no Conselho de Segurança  

A ministra garante que Moçambique tem dado uma resposta coordenada de combate ao terrorismo e afirmou que está a haver progressos. Agora, o governo foca em criar “condições básicas para a população de Cabo Delgado regressar as suas zonas de origem.” 

Verónica Macamo falou ainda sobre impactos dos desastres naturais e da mudança climática para a África.  

Na Assembleia Geral, a ministra também reafirmou o compromisso de Moçambique com a implementação de tratados contra o comércio de armas. 

A chefe da diplomacia  lembrou que o país será, pela primeira vez, candidato a membro não-permanente do Conselho de Segurança para o período 2023-2024. 

 

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