Avião do PMA faz primeiro pouso em Cabul desde que Talibã entrou no poder
BR

14 setembro 2021

Mais de 90% das famílias do Afeganistão estão com dificuldades para conseguir comida; voos liderados pela Unhas também levam suprimentos de emergência e medicamentos.  

O Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas, Unhas, liderado pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, voltou a realizar voos para a capital do Afeganistão, Cabul. Foi a primeira vez que aviões do serviço pousaram em Cabul, desde que o Talibã tomou o poder, há um mês.  

Com isso, os trabalhadores humanitários já estão recebendo itens essenciais para ajudar afegãos que estão, segundo o PMA, “desesperados”. 

Mantimentos prontos para ser distribuídos no Afeganistão.
Foto: © WFP
Mantimentos prontos para ser distribuídos no Afeganistão.

Momento da virada 

Mais de 90% das famílias do Afeganistão estão com dificuldades para comer o suficiente, enquanto a crise no país cresce. O inverno se aproxima e a agência da ONU calcula que milhões de afegãos vulneráveis terão muito pouco para sobreviver.   

No final de agosto, os voos da Unhas estavam saindo de Islamabad, no Paquistão, e pousando nas cidades afegãs de Mazar-e-Sharif, Kandahar e Herat. No dia 12 de setembro, foram retomados os voos para Cabul. Além de alimentos, os aviões levam medicamentos e outros suprimentos de emergência, a pedido da OMS.  

Até agora, três aviões de carga completaram a viagem. A diretora do PMA no Afeganistão, Mary-Ellen McGroarty declarou que a retomada dos voos para Cabul “é um ponto de virada”, uma vez que levar mantimentos para o país “é vital para manter a esperança de se prevenir uma catástrofe total”.  

Dinheiro necessário 

Na segunda-feira, durante uma conferência das Nações Unidas em Genebra, os países-membros prometeram US$ 1,2 bilhões para as operações humanitárias no Afeganistão. O PMA precisa, com urgência, de US$ 200 milhões para continuar levando alimentos ao país antes da chegada do inverno.  

A agência conta com seis escritórios no país e coordena comboios para a entrega de mantimentos. Em agosto, mais de 400 mil afegãos receberam ajuda do PMA, mas “para se evitar uma catástrofe humanitária”, a assistência precisa chegar a 9 milhões de pessoas por mês até novembro. 

Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas durante a ofensiva  no Afeganistão
Foto: © WFP/Arete
Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas durante a ofensiva no Afeganistão

Mulheres barradas dos esportes 

Nesta terça-feira, um balanço de operações no Afeganistão revelou que este ano a agência conseguiu ajudar 6,4 milhões de pessoas. Entre os beneficiários estão 170 mil grávidas e 750 mil crianças que corriam risco de desnutrição.  

Desde o começo de agosto, o PMA enviou mais 34 equipes móveis de saúde, completando 117 equipes pelo país. Entre os dias 15 de agosto e 7 de setembro, a entrega de comida e de assistência de nutrição chegou a 600 mil pessoas.  

A situação de direitos humanos no país continua chamando a atenção do mundo desde que o Talibã tomou o controle. Nesta terça-feira, um grupo de especialistas da ONU condenou um comunicado do movimento afirmando que as mulheres serão proibidas de participar de atividades esportivas.  

Para os relatores de direitos humanos, se essa decisão entrar mesmo em vigor, poderá causar um “apartheid de gênero” no Afeganistão. Por isso, o grupo faz um apelo ao Talibã, “para afirmar, de forma imediata, que as mulheres poderão sim, realizar qualquer esporte”.  

 

 

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