Mais de 4 bilhões de pessoas não têm nenhum tipo de segurança social
BR

1 setembro 2021

Organização Internacional do Trabalho divulga relatório, destacando como a pandemia de Covid-19 aumentou ainda mais a lacuna entre países de rendas alta e baixa.

Apesar de uma expansão sem precedentes da proteção social durante a crise causada pela Covid-19, mais de 4 bilhões de pessoas no mundo continuam sem qualquer tipo de proteção. Esta é a principal revelação de um estudo divulgado esta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho, OIT. 

A entidade destaca que a resposta à pandemia foi “desigual e insuficiente, aumentando ainda mais a lacuna entre países de rendas alta e baixa”. 

Tecnologias digitais estão mudando mundo do trabalho
a2i
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Auxílio desemprego 

A OIT explica que a segurança social inclui acesso à cuidados de saúde e segurança salarial, especialmente em relação à idade mais avançada, ao desemprego, a doenças, a deficiências, a acidentes de trabalho, licença-maternidade e benefícios para famílias com crianças. 

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, declarou que os “países estão numa encruzilhada”. Ele acredita que este é um “momento crucial para aproveitar a resposta à pandemia e criar uma nova geração de sistemas de proteção social baseados em direitos”.

Trabalhadoras domésticas em protesto por melhores condições de trabalho
Foto OIT
Trabalhadoras domésticas em protesto por melhores condições de trabalho

Impactos da Covid-19

Segundo Ryder, só assim “os trabalhadores e as empresas terão a segurança para enfrentar transições futuras com confiança e esperança”. O Relatório Mundial da Proteção Social 2020-2022 traz um balanço global da situação recente da proteção social, cobrindo o impacto da pandemia de Covid-19.

A OIT destaca que apenas 47% da população mundial recebe cobertura eficaz de pelo menos um benefício. O documento mostra ainda as desigualdades entre regiões. Europa e Ásia Central tem as maiores taxas de cobertura, com 84% das pessoas recebendo pelo menos um benefício. 

Nas Américas, 64% da população recebe proteção social, mas na África, o índice é de apenas 17,4%. 

Idosos também enfrentam dificuldades relacionadas à idade, incluindo isolamento ou desafios físicos.
© UNHCR/Anastasia Vlasova
Idosos também enfrentam dificuldades relacionadas à idade, incluindo isolamento ou desafios físicos.

Mães e aposentados 

Na média global, a maioria das crianças ainda não têm nenhuma cobertura – apenas uma entre quatro crianças recebe algum tipo de proteção social. Apenas 45% das mães com recém-nascidos recebe ajuda financeira extra e apenas uma entre três pessoas com algum tipo de deficiência recebe algum benefício. Mas a OIT destaca o Brasil entre os países que garantem proteção social a 100% das pessoas com deficiência. 

O relatório informa ainda que apesar de 77,5% dos aposentados receber pensão, existem muitas disparidades entre regiões, entre áreas rurais e urbanas e entre mulheres e homens. 

Aumento dos investimentos 

O total que os governos gastam em proteção social também varia muito. No geral, os países gastam quase 13% do PIB em benefícios. Mas enquanto a taxa nos países de renda alta chega a 16,4%, em nações de baixa renda, o índice é de apenas 1,1% do PIB. 

Para garantir pelo menos uma cobertura básica de proteção social, as nações de baixa renda precisam investir US$ 77,9 bilhões a mais, todos os anos, enquanto para as nações de rendas média-alta, a indicação da OIT é de investimento extra anual de US$ 750,8 bilhões. 

A diretora do Departamento de Proteção Social da OIT, Shahra Razavi, lembra que os gastos públicos aumentaram muito com as medidas de resposta à crise, mas segundo ela, se os países cortarem na proteção social, os danos serão grandes, por isso, investimentos são necessários aqui e agora.

 

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