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Agência diz que mais moçambicanos escapam da violência em Cabo Delgado BR

Vista de uma rua principal no distrito de Palma, Cabo Delgado, Moçambique, com muitas pessoas caminhando e um homem de bicicleta carregando uma cesta grande.
© PMA/Grant Lee Neuenburg Cidade costeira de Palma foi palco de confrontos recentes de terroristas com as forças de segurança

Agência diz que mais moçambicanos escapam da violência em Cabo Delgado

Migrantes e refugiados

Pelo menos 11 mil pessoas já chegaram a Pemba, capital da província, após terroristas terem atacado a cidade de Palma, no norte do país, em 24 de março; milhares de pessoas continuam fugindo somente com a roupa do corpo; voos humanitários, que evacuaram centenas, estão suspensos à espera de autorização.

 

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, informou que espera receber milhares de pessoas que fogem da violência na cidade de Palma, no norte de Moçambique.


Em 24 de março, a cidade da província de Cabo Delgado foi atacada por extremistas islâmicos causando a fuga de milhares de pessoas.

Pessoas deslocadas chegam a um abrigo improvisado em uma praia em Pebma, Moçambique.
OIM/Matteo Theubet Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista


A pé


Segundo o Acnur, pelo menos 11 mil moçambicanos já chegaram a Pemba, capital da província, em busca de abrigo. Milhares devem chegar nos próximos dias. Muitos fizeram o percurso a pé ou por barcos. A maioria são mulheres e crianças.  


Além de Pemba, as outras cidades de abrigo são Nangade, Mueda e Montepuez.
Alguns voos humanitários, que evacuaram centenas de moçambicanos, foram suspensos à espera de autorização.

Uma mulher está em pé em frente a uma tenda de acolhimento do ACNUR em Pemba, Moçambique.
© Acnur/Martim Gray Pereira Até o final de março de 2021, cerca de 670.000 pessoas foram deslocadas internamente pela violência no norte de Moçambique.


Tanzânia

 

A agência da ONU informou que suas equipes em Pemba receberam relatos preocupantes que mais de 1 mil pessoas que fugiram de Moçambique tentando entrar no país vizinho, Tanzânia, não foram permitidos.


O Acnur disse que está acompanhando estes relatos na Tanzânia e pediu aos vizinhos de Moçambique que abram suas fronteiras àqueles que estão buscando asilo para escapar da violência.

 

Os confrontos em Cabo Delgado começaram em 2017 e já deslocaram mais de 700 mil pessoas. Grupos armados não-estatais e extremistas islâmicos invadiram a área, no norte de Moçambique, onde funcionam instalações de gás natural.

Pessoas numa bomba de água em Metuge, Cabo Delgado, Moçambique, a 4 de dezembro de 2020.
Unicef/Mauricio Bisol Deslocados fazem fila para obter água em Metuge, província de Cabo Delgado, em Moçambique


Trauma


Para o Acnur, se nada for feito, o número de refugiados pode atingir 1 milhão em junho, caso a violência não pare.


A maioria dos civis demonstra sinais de trauma severo após testemunhar atrocidades cometidas contra seus próprios parentes. Há relatos de decapitações e outros crimes violentos.
Várias crianças desacompanhadas e famílias separadas estão chegando a Pemba assim como idosos.


Apelo


Quase 80% dos indivíduos que chegam separados são mulheres e crianças. O Acnur está ajudando no treinamento de pessoal de entidades parceiras para proteger esses civis de violência de gênero e exploração sexual.
 
A escalada da violência em Cabo Delgado causou sérios danos à saúde, ao fornecimento de água e abrigo, assim como acesso aos alimentos na região. A crise de Covid-19 só veio agravar a situação.


A agência disse que precisa de mais recursos para a reposta humanitária. O apelo de US$ 19,2 milhões só foi atendido até agora em 40%.