Agência diz que mais moçambicanos escapam da violência em Cabo Delgado
BR

6 abril 2021

Pelo menos 11 mil pessoas já chegaram a Pemba, capital da província, após terroristas terem atacado a cidade de Palma, no norte do país, em 24 de março; milhares de pessoas continuam fugindo somente com a roupa do corpo; voos humanitários, que evacuaram centenas, estão suspensos à espera de autorização.
 

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, informou que espera receber milhares de pessoas que fogem da violência na cidade de Palma, no norte de Moçambique.

Em 24 de março, a cidade da província de Cabo Delgado foi atacada por extremistas islâmicos causando a fuga de milhares de pessoas.

Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista
OIM/Matteo Theubet
Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista

A pé

Segundo o Acnur, pelo menos 11 mil moçambicanos já chegaram a Pemba, capital da província, em busca de abrigo. Milhares devem chegar nos próximos dias. Muitos fizeram o percurso a pé ou por barcos. A maioria são mulheres e crianças.  

Além de Pemba, as outras cidades de abrigo são Nangade, Mueda e Montepuez.
Alguns voos humanitários, que evacuaram centenas de moçambicanos, foram suspensos à espera de autorização.

Até o final de março de 2021, cerca de 670.000 pessoas foram deslocadas internamente pela violência no norte de Moçambique.
© Acnur/Martim Gray Pereira
Até o final de março de 2021, cerca de 670.000 pessoas foram deslocadas internamente pela violência no norte de Moçambique.

Tanzânia

 

A agência da ONU informou que suas equipes em Pemba receberam relatos preocupantes que mais de 1 mil pessoas que fugiram de Moçambique tentando entrar no país vizinho, Tanzânia, não foram permitidos.

O Acnur disse que está acompanhando estes relatos na Tanzânia e pediu aos vizinhos de Moçambique que abram suas fronteiras àqueles que estão buscando asilo para escapar da violência.

 

Os confrontos em Cabo Delgado começaram em 2017 e já deslocaram mais de 700 mil pessoas. Grupos armados não-estatais e extremistas islâmicos invadiram a área, no norte de Moçambique, onde funcionam instalações de gás natural.

Deslocados fazem fila para obter água em Metuge, província de Cabo Delgado, em Moçambique
Unicef/Mauricio Bisol
Deslocados fazem fila para obter água em Metuge, província de Cabo Delgado, em Moçambique

Trauma

Para o Acnur, se nada for feito, o número de refugiados pode atingir 1 milhão em junho, caso a violência não pare.

A maioria dos civis demonstra sinais de trauma severo após testemunhar atrocidades cometidas contra seus próprios parentes. Há relatos de decapitações e outros crimes violentos.
Várias crianças desacompanhadas e famílias separadas estão chegando a Pemba assim como idosos.

Apelo

Quase 80% dos indivíduos que chegam separados são mulheres e crianças. O Acnur está ajudando no treinamento de pessoal de entidades parceiras para proteger esses civis de violência de gênero e exploração sexual.
 
A escalada da violência em Cabo Delgado causou sérios danos à saúde, ao fornecimento de água e abrigo, assim como acesso aos alimentos na região. A crise de Covid-19 só veio agravar a situação.

A agência disse que precisa de mais recursos para a reposta humanitária. O apelo de US$ 19,2 milhões só foi atendido até agora em 40%. 
 

 

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