Famílias em Moçambique abrigam deslocados pela violência em Cabo Delgado
BR

1 abril 2021

Situação de insegurança alimentar na província, no norte do país, por causa de confrontos entre tropas do governo e grupos armados não-estatais, deteriorou-se nos últimos meses; mais de 500 mil moçambicanos fugiram de suas casas deixando para trás bens agrícolas e pecuários. 

A violência em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, já causou mais de 670 mil deslocados internos desde o início dos confrontos em 2017. 

 

Extremistas e grupos não-estatais invadiram a região, na fronteira com a Tanzânia, estão em confrontos com tropas do governo moçambicano.  

Unicef/Mauricio Bisol
Menina de 10 anos em assentamento para deslocados em Metuge. Os pais da menina foram mortos por insurgentes

  

Palma 

  

No último 24 de março, grupos armados não-estatais invadiram a cidade de Palma, ao lado da capital de Cabo Delgado, Pemba, matando dezenas de civis. 

 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e outras agências da ONU atuam em Cabo Delgado para socorrer a população do conflito.  

 

Várias famílias abriram as portas de casa nas províncias de Nampula e Niassa para acolher os moradores que fogem da violência. 

 

Há relatos de decapitações, sequestros e violência sexual. 

 

Uma das vítimas, Abdul Selemane, de 44 anos, teve sua casa incendiada pelos terroristas. Ele fugiu com a mãe, esposa e os dois filhos de Mocímboa da Praia, um dos distritos mais afetados pelos ataques.  

 

FAO/Telcinia Nhantumbo
Agências humanitárias atuam em áreas como Mueda, Montepuez, Negomano e Quitunda e Mocímboa da Praia

Cultivo  

 

Selemane encontrou abrigo no reassentamento de Marrupa, no distrito de Metuge, sendo forçado a abandonar o cultivo repleto de plantações. Em Marrupa, a comunidade cedeu a ele terras para a agricultura.  

 

Ele e a família acreditam em melhores dias, após a colheita das sementes que recebeu da FAO, no âmbito do programa de emergência.   

 

Segundo a agência da ONU, mais de meio milhão de pessoas tiveram de deixar para trás quase todas as suas posses, incluindo bens agrícolas e pecuários. 

 

 Makupe Bahetwe, 41 anos é líder comunitário no bairro de Ntokota, em Metuge, e está hospedando deslocados de áreas afetadas pelo conflito.  

 
Ele conta que a comunidade é solidária com os deslocados que são seres humanos e precisam de terra para o cultivo de sobrevivência. 

Foto ONU/Eskinder Debebe
Distribuição de comida na vila de Nacate, perto de Macomia, em Cabo Delgado

  

Prioridade 

 
A FAO está a trabalhar com as autoridades para monitorar e responder as necessidades das comunidades deslocadas e anfitriãs. Estima-se que o conflito resultou numa queda de 30 % da produção em comparação com a campanha agrícola anterior. 

 

 Para o diretor provincial das atividades econômicas, Ageu Mário, os conflitos têm um impacto negativo no desempenho de vários setores da economia e na agricultura em particular, onde 86 % da população depende desta atividade.   

 

Ele disse ainda que o apoio ao restabelecimento dos meios de subsistência continua a ser uma prioridade.  

 

Recursos 

 

A FAO esta a implementar projetos em nove distritos que acolhem famílias deslocadas, seis em Cabo Delgado: Ancuabe, Chiure, Namuno, Mecufi, Metuge e Montepuez.  

 

E três na Província de Nampula: Meconta, Erati e Monapo para ajudar a restaurar os meios de subsistência da população afetada.  

 

Além de apoiar famílias diretamente afetadas pela violência, a agência está ajudar as famílias que hospedam pessoas deslocadas para aliviar a pressão sobre seus recursos e abastecimento de alimentos.  

 

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