O ano de 2019 mostra o número mais baixo do período analisado com 57 vítimas fatais.

Nações Unidas dizem que 90% dos assassinatos de jornalistas, desde 2006, não foram punidos  BR

Domínio Público
O ano de 2019 mostra o número mais baixo do período analisado com 57 vítimas fatais.

Nações Unidas dizem que 90% dos assassinatos de jornalistas, desde 2006, não foram punidos 

Cultura e educação

Neste Dia Internacional sobre o Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas, secretário-geral alerta sobre ambiente de confusão e desinformação quando falta proteção para estes profissionais; nos últimos 14 anos, 1,2 mil jornalistas foram mortos e apenas 10% dos casos punidos.

As Nações Unidas marcam neste 2 de novembro o Dia Internacional sobre o Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas. Em todo o mundo, eventos virtuais e presenciais assinalam a data com a participação dos profissionais do setor. 

Segundo a ONU, 1,2 mil jornalistas foram assassinados por divulgar notícias e levar informações ao público entre 2006 e 2019. Nos últimos 14 anos, 90% dos casos ficaram impunes.  

Taxa

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura , Unesco, lançou a publicação Proteja jornalistas, proteja a verdade: um folheto para o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas. O estudo alerta que 156 profissionais do setor foram mortos em todo o mundo entre 2018 e 2019.  

A agência realça ainda que na última década um jornalista foi assassinado, em média, a cada quatro dias. O ano de 2019 mostra o número mais baixo do período analisado com 57 vítimas fatais. 

Arquivo ONU News:

Impunidade em assassinatos de jornalistas preocupa Unesco

O estudo alerta, no entanto, que continuam prevalecendo os crimes contra jornalistas apesar de este ano ter havido “uma ligeira redução na taxa de impunidade, com um percentual de 13% dos casos relatados que foram resolvidos em todo o mundo”. Em 2019, o índice foi de 12%, mais um ponto percentual que no ano anterior. 

O estudo realça ainda que em 2019, o maior número de ataques fatais ocorreu na região da América Latina e Caribe, com 40% do total de assassinatos registrados em todo o mundo. A seguir esteve a região da Ásia e do Pacífico com 26% mortes.  

Sistemas judiciais  

A impunidade revela frequentemente “um sintoma de agravamento do conflito, do colapso da lei e dos sistemas judiciais”. 

Pelo menos 131 casos de assassinatos de jornalistas foram elucidados desde 2006.
Pelo menos 131 casos de assassinatos de jornalistas foram elucidados desde 2006., by Artículo 66

Para o secretário-geral, quando os jornalistas são atacados, as sociedades como um todo pagam o preço. António Guterres diz que sem proteção dos profissionais, “a capacidade de manter as pessoas informadas e contribuir para a tomada de decisões é severamente prejudicada”.  

Para o chefe da ONU, sem jornalistas capazes de fazer seu trabalho com segurança, o mundo mergulha em confusão e desinformação. 

A data foi proclamada pela Assembleia Geral em resolução apelando os países a implementar medidas definitivas contra a atual cultura de impunidade. A data foi criada um ano após o assassinato de dois jornalistas franceses no Mali, em 2 de novembro de 2013. 

Violência  

Esta resolução condena “todos os ataques e violência a jornalistas e trabalhadores da mídia” e exorta os Estados-membros a fazerem o possível para prevenir a violência a jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação. 

Uma das exigências é garantir a prestação de contas, levar à justiça os autores de crimes contra os profissionais de comunicação e garantir que as vítimas tenham acesso aos recursos adequados.  

Imagem do local onde embaixadores falam a jornalistas fora do Conselho de Segurança
Imagem do local onde embaixadores falam a jornalistas fora do Conselho de Segurança, by Foto ONU/Ryan Brown

O documento também apela aos Estados a promover um ambiente seguro e favorável para os jornalistas “realizem seu trabalho de forma independente e sem interferência indevida”. 

Dados das Nações Unidas apontam que 495 jornalistas foram mortos entre 2014 e 2018, um aumento de 18% em relação aos cinco anos anteriores. 

Prisão e tortura 

Pelo menos 131 casos de assassinatos de jornalistas foram elucidados desde 2006, representando uma taxa geral de impunidade de 88%. Além dos ataques fatais, estes profissionais sofreram outras violações, como ataques físicos, sequestros, desaparecimento forçado, prisão e tortura. 

No ambiente online, o assédio e outros atos prejudiciais são cada vez mais prevalentes e particularmente graves para as jornalistas. 

Pelas estatísticas da organização, a Síria é o país mais perigoso para jornalistas, seguida pelo México e Afeganistão. A região dos Estados Árabes, da América Latina e Caribe e da Ásia e Pacífico ocorrem mais de 75% dos assassinatos. 

 

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