Covid-19 interrompe serviços de saúde mental na maioria dos países 
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5 outubro 2020

Nova pesquisa da OMS destaca a necessidade urgente de aumentar investimento em setor subfinanciado; mais de 60% dos Estados-membros relataram interrupções nos serviços para pessoas vulneráveis; estudo foi publicado antes de 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental.

A pandemia de Covid-19 interrompeu serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países, apesar de um aumento da demanda. A constatação é de um novo estudo publicado esta segunda-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS. 

A pesquisa de 130 nações fornece os primeiros dados globais que mostram o impacto da pandemia no acesso aos serviços de saúde mental, destacando a necessidade urgente de mais financiamento. 

Pacientes num centro médico na Índia. Países de baixa renda tiveram taxas de implementação de telemedicina mais baixas, OMS/P. Virot

Pandemia 

Os dados do estudo realizado de junho a agosto nas seis regiões da OMS são publicados antes do Dia Mundial da Saúde Mental, 10 de outubro. A agência da ONU realizará um evento com líderes mundiais, celebridades e ativistas para pedir maiores investimentos nesta área. 

Antes da pandemia, os países gastavam menos de 2% seus orçamentos nacionais de saúde para lidar com a área mental. Agora, a pandemia está aumentando a demanda por esses serviços. 

Luto, isolamento, perda de renda e medo estão causando novos problemas ou agravando os que já existiam. Muitas pessoas podem estar enfrentando níveis elevados de uso de álcool e drogas, insônia e ansiedade. 

Ao mesmo tempo, a Covid-19 pode causar complicações neurológicas e mentais, como delírio, agitação e derrame. Pessoas com transtornos mentais, neurológicos ou de uso de substâncias também são mais vulneráveis ​​à infecção pelo novo coronavírus, correndo um risco maior de ter uma forma grave da doença e até de morte. 

Interrupções 

Mais de 60% dos Estados-membros relataram interrupções nos serviços para pessoas vulneráveis, incluindo crianças e adolescentes

A pesquisa encontrou grandes paragens em serviços essenciais de saúde mental. Mais de 60% dos Estados-membros relataram interrupções nos serviços para pessoas vulneráveis, incluindo crianças e adolescentes afetados em 72%, adultos mais velhos com 70%, e mulheres que precisam de serviços pré-natais ou pós-natais com 61%. 

Além disso, 67% das nações tiveram interrupções no aconselhamento e psicoterapia, 65% para serviços críticos de redução de danos e 45% ao tratamento de manutenção para dependência de opioides. 

Quase um terço dos países baixou o ritmo de intervenções de emergência, incluindo para pessoas com convulsões prolongadas, síndromes de abstinência por uso de substâncias graves e delírio, que constitui, geralmente, um sinal de uma condição médica séria. 

Jovem de 19 anos, na Ucrânia, que vende drogas e vive com HIV, ficou sem acesso a tratamento, Unicef/Giacomo Pirozzi

Cerca de 30% pararam serviços relacionados com acesso a medicamentos para transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias. O mesmo aconteceu em quase três quartos dos serviços na escola e no local de trabalho. 

Embora muitos países tenham adotado a telemedicina para superar as interrupções, existem grandes disparidades. Mais de 80% das economias de alta renda fizeram essa transição, em comparação com menos de 50% nações de baixa renda. 

Cerca de 89% dos países relataram que a saúde mental e o apoio psicossocial fazem parte de seus planos nacionais de resposta, mas apenas 17% têm financiamento para cobrir essas atividades. 

Investimento 

US$ 1 trilhão em produtividade econômica são perdidos anualmente apenas com a depressão e a ansiedade

Tudo isso destaca a necessidade de mais fundos para saúde mental, realça o estudo. À medida que a pandemia continua, o crescimento da demanda pressionará programas que sofrem com falta de financiamento há anos. 

Segundo a OMS, gastar 2% dos orçamentos em saúde mental não é suficiente. Os financiadores internacionais também precisam fazer mais. A saúde mental ainda recebe menos de 1% da ajuda internacional destinada à saúde. 

A agência afirma que os países que investem em saúde mental são recompensados. 

Estimativas realizadas antes da pandemia mostram que cerca de US$ 1 trilhão em produtividade econômica são perdidos anualmente apenas com a depressão e a ansiedade. 

Os mesmos estudos mostram que cada US$ 1 gasto em cuidados para depressão e ansiedade oferece um retorno de US$ 5. 

 

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