A juventude africana é um "grande ativo" para o continente 
BR

5 outubro 2020

Conselheira do secretário-geral da ONU para a África crê em decisões políticas apropriadas para gerir “grande capital humano da região”; grupo populacional corresponde a 65% dos mais de 1 bilhão de habitantes do continente.

A nova conselheira do secretário-geral das Nações Unidas para África, Cristina Duarte, disse acreditar na força da juventude como "um grande ativo" para o continente.  

A também subsecretária-geral diz que é preciso tirar partido da força dos jovens, especialmente as mulheres africanas jovens. Para ela, os decisores públicos têm que traçar as políticas apropriadas para gerir este "grande capital humano" da região. 

Perguntas  

"O facto de África ser um continente jovem, o facto de África ter tanta juventude, não pode ser visto como um problema. Tem que ser visto como um grande ativo. Quem dera aos outros continentes terem nossa juventude. Quem lhes dera. Portanto, se é um ativo e não é um problema, então nós devemos perguntar a nós próprios: Mas será que estamos a investir bem neste ativo do ponto de vista das políticas públicas ? O que é que nos tem faltado, do ponto de vista das políticas públicas, para tirar todo o partido deste grande ativo que é a juventude africana, particularmente as mulheres africanas jovens?”

ONU News
Nova conselheira do secretário-geral da ONU, Cristina Duarte ocupou cargos no governo de Cabo Verde.

A União Africana estima que os jovens sejam 65% da população de mais de 1 bilhão de pessoas na África. Cristina Duarte afirma que é necessário transformar o perfil demográfico africano e adotar as novas tecnologias de forma sistemática para todos, de forma massiva. 

“Nós temos que entender, do ponto de vista das políticas públicas, que para transformar o perfil demográfico africano num grande ativo que produz valor temos que fazer da adoção das novas tecnologias o ar que respiramos. O ar que respiramos.  Não pode ser on an ad-hoc basis, com uma solução para uma pequena comunidade e fazermos barulho com uma pequena televisão, não. Tem que ser massivamente.” 

A nova chefe do Escritório da África comparou as vantagens da tecnologia com o sol que cobre todo o continente africano, ajudando a gerar energia. 

Equilíbrio  

 “É exatamente o mesmo mindset (mesma mentalidade)  que nós temos que ter em relação a novas tecnologias. Adotá-las massivamente. Mas temos que dizer ao mundo que para que isto aconteça, há questões que têm que ser debatidas com equilíbrio, com justiça e equilíbrio de poderes. As barreiras à propriedade intelectual têm que entrar na agenda da liderança global como solução dos atuais problemas."

Ao se referir à propriedade intelectual e os déficits deste recurso na África, ela afirmou que as restrições de registo nessa área afetam o continente.  

Foto: ONU/Eskinder Debebe
Chefe do Escritório da África comparou as vantagens da tecnologia com o sol que cobre todo o continente.

 

Para Cristina Duarte, o capital humano é o centro das políticas públicas. E o dia em que isso for priorizado, será possível resolver questões incluindo o fluxo ilícito de capitais e os problemas das tecnologias.  

Energias renováveis 

A ex-ministra das Finanças de Cabo Verde elogiou a criatividade dos jovens africanos. Segundo ela, os jovens por causa de tantos desafios acabam pensando em soluções como energias renováveis. 

Ela lembrou que a Covid-19 demonstrou a necessidade de se avançar em soluções tecnológicas como motores do desenvolvimento. 

Comunidade lusófona  

Ao falar sobre sua experiência com outras nações lusófonas, ela disse que é cabo-verdiana e se sente parte dos países africanos lusófonos. Ao falar sobre o líder da independência Amílcar Cabral, Cristina Duarte contou ter muito orgulho do legado de Cabral que liderou uma geração com visão não só de independência, mas de ideias e conceitos muito semelhantes aos de outros membros da comunidade lusófona. 

A subsecretária-geral disse esperar cooperar com todos os países de língua portuguesa e os demais durante o mandato como conselheira para África do secretário-geral António Guterres.  

Cristina Duarte finalizou dizendo que o processo de busca e resposta para as crises enfrentadas pelo mundo atual passa por uma discussão aberta do papel do multilateralismo. 

 

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