Iniciativa de US$ 84 milhões ajuda 235 mil migrantes da África e Iémen

7 agosto 2020

Milhares de migrantes africanos com destino à Península Árabe estão no Iémen impossibilitados de seguir viagem ou voltar à casa; consequências do encerramento de fronteiras devido à Covid-19 coloca-os em situação de vulnerabilidade extrema.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, e mais 27 agências humanitárias lançaram, esta semana, uma iniciativa para mobilizar US$ 84 milhões e garantir assistência humanitária a 235 mil migrantes africanos e membros de comunidades anfitriãs, afetadas pela Covid-19 no Corno da África e o Iémen.

Segundo a OIM, a falta de financiamento para os seus programas no Iêmen está colocando vidas em risco. Foto: © Unicef

Restrições

O Plano Regional de Resposta ao Migrante envolve o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, parceiros de desenvolvimento e governos locais. A ideia é fornecer uma ajuda urgente a milhares de migrantes retidos no perigoso corredor migratório, designado Rota Oriental.

Segundo a OIM, 87% desses migrantes são provenientes da Etiópia e Somália e viajam com uma esperança partilhada de encontrar emprego no Reino da Arábia Saudita e outras partes na Península Árabe. 

A Organização Intergovernamental informa ainda que os migrantes têm sido afetados pela pandemia de Covid-19, em parte, devido ao encerramento de centenas de fronteiras terrestre, aérea e marítima, o que impede muitos a chegarem ao destino, ou a retornarem à procedência. 

Unfpa
Mãe e filhos deslocados na cidade de Hodeida, no Iêmen, onde a Covid-19 já é uma preocupação

Escassez

Em comunicado, o diretor regional da OIM para o Leste e Corno da África, Mohammed Abdiker, descreveu como claras e precárias as situações em que os migrantes vulneráveis se veem envolvidos na Rota Oriental e disse que o Plano visa ajudar os afetados a voltarem para casa com segurança e apoiar os governos a responderem à situação de forma humana.

Estima-se que 14,5 mil migrantes estejam bloqueados no Iémen, muitos dos quais em condições perigosas com pouco acesso à comida, água e assistência médica. Além do estigma e xenofobia, eles correm também riscos de detenção e exploração por parte de traficantes e contrabandistas, avança a OIM. 

As previsões apontam que durante este ano pelo menos 75 mil migrantes tentarão regressar a casa no Corno da África.

ONU
Estima-se que 14,5 mil migrantes estejam bloqueados no Iémen, muitos dos quais em condições perigosas com pouco acesso à comida, água e assistência médica.

Vulnerabilidade

A coordenadora residente e humanitária da ONU no Iémen, Lise Grande, disse que os migrantes são vítimas de afogamento, abuso, exploração e muitos não têm o suficiente para comer e lhes é recusado assistência médica, o que faz deles as pessoas mais vulneráveis em toda a região.
Sabe-se que milhares de migrantes não têm onde dormir e dezenas de milhares continuam bloqueados no Iémen, sem possibilidades de seguir viagem ou de retornar a casa. 

O Plano Regional de Resposta ao Migrante é uma plataforma que fornece um quadro para coordenar a proteção de migrantes na Rota Oriental e a mobilização de recursos para reforçar a capacidade dos governos, organizações humanitárias e parceiros de desenvolvimento na resposta à crise.

 

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