Banco Mundial anuncia crédito que pode injetar US$ 450 bilhões para comércio global

28 julho 2020

Mais de 100 países em desenvolvimento devem se beneficiar da iniciativa; órgão acredita que zona de livre comércio pode aumentar oportunidades de emprego e renda em nações africanas.

A Área Continental Africana de Livre Comercio, Afcfta na sua sigla em inglês, é uma oportunidade dos países impulsionarem o crescimento, reduzirem a pobreza e expandirem a inclusão económica. A conclusão consta de um novo relatório do Banco Mundial.

Este ano, o prejuízo causado pela Covid-19 é estimado em mais de US$ 79 bilhões de perdas de produção em África. Foto: ONU

Benefícios

Se implementado na integra, o pacto do comércio pode elevar o rendimento regional para 7% ou US$ 450 bilhões, estimular o aumento salarial para as mulheres, e tirar 30 milhões de pessoas da pobreza extrema até 2035. Os cálculos foram feitos frisando que 2,4%, equivalente a US$ 153 bilhões podem resultar da liberalização de tarifas, e redução de barreiras não-tarifárias.

A redução das burocracias, sobretudo nos procedimentos aduaneiros e os custos de conformidade para empresas, são medida de simplificação do comércio que podem, segundo o relatório, cobrir os restantes US$ 292 bilhões, facilitando a integração de empresas na cadeia de abastecimento global e aumentando a resiliência dos países face a futuros choques económicos.

Este ano, o prejuízo causado pela Covid-19 é estimado em mais de US$ 79 bilhões de perdas de produção em África, o que revela a necessidade urgente de se alcançar os ganhos do pacto. A pandemia já provocou importantes rupturas no comércio continental, incluindo em bens básicos como suprimentos médicos e alimentos.

Objetivos

O economista-chefe do Banco Mundial para África, Albert Zeufack, disse que o acordo “visa tirar cerca de 68 milhões de pessoas da pobreza moderada e tornar os países africanos mais competitivos, afirmando que a chave será uma implementação bem-sucedida e que inclua o monitoramento cuidadoso dos impactos sobre todos os trabalhadores de todos os países e setores.”

Entre as metas estão remodelar mercados e economias, tendo em vista a criação de novas indústrias e a expansão de setores chave em que os ganhos económicos globais variariam. 

Países como a Cote d`Ivoire ou Costa do Marfim e Zimbabué, onde os custos do comércio estão entre os mais altos da região, teriam os maiores ganhos, aumentando suas rendas na ordem de 14%. 

A implementação bem-sucedida da Afctfa ajudaria ainda a amortecer os efeitos negativos da Covid-19 sobre o crescimento económico, apoiando o comércio regional e cadeias de valores através da redução dos custos do comércio, segundo o qual, o dispositivo forneceria, a longo prazo, um caminho para a integração e crescimento, reforçando as reformas nos países africanos. 

Minusca/Biliaminou A. Alao
Banco Mundial tem na carteira um apoio de mais de US$ 160 bilhões para ajudar mais de 100 países protegerem os pobres e vulneráveis da Covid-19 .

Apoio

Outro benefício é o aumento do comércio inter-regional de fabricação que permitiria as exportações dentro do continente a dispararem para 81%, enquanto a subida nos países não-africanos estaria em torno de 19%.

Com o relatório, o Banco Mundial pretende ajudar os países a implementarem políticas de maximização dos potenciais ganhos do acordo enquanto os riscos são minimizados. A ideia é atrair investimento estrangeiro e aumentar a competição, produtividade e inovação das firmas africanas. 

Uma das maiores fontes de financiamento das nações em desenvolvimento, o Banco Mundial tem na carteira um apoio de mais de US$ 160 bilhões para ajudar mais de 100 países protegerem os pobres e vulneráveis da Covid-19 durante 15 meses, e apoiar empresas a fazerem face aos desafios da recuperação económica 
 

 

 

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