ONU destaca comércio interafricano como vetor da integração das economias
BR

22 março 2021

Comissão das Nações Unidas para África quer apoiar programas e políticas de promoção do comércio por meio de cooperação para industrialização; ratificação da Zona de Livre Comércio está contemplada no pacote; Comunidades Econômicas da Região expandem capacitação sobre modelos macroeconômicos, previsão econômica e desenvolvimento. 

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, ECA disse que os países Africanos continuam a fazer negócio mais com o exterior do que entre eles mesmos. As conclusões são de um relatório de avaliação sobre os progressos da integração regional num contexto da Covid-19.

© MSC shipping
Documento enfatiza o apoio das sociedades africanas de responsabilidade limitada na implementação do Plano de Ação de Viena dos Países em desenvolvimento sem litoral

Parceria

Segundo o documento, apresentado no 39º Comité de Expertos da Conferência dos Ministros Africanos das Finanças, Plano e Desenvolvimento Econômico, na Etiópia, a União Europeia é o maior negociante em África com um volume total de 29,8% em 2018. O comércio China-África e a saída do Reino Unido da União Europeia, Brexit, estariam a mudar esta tendência.

Na apresentação do relatório, o diretor da Integração Regional e da Divisão de Negócios na ECA, Stephen Karingi culpou as restrições da Covid-19 pela interrupção severa da implementação de iniciativas da integração regional como a Zona Continental Africana de Livre Comércio.

O especialista disse que “a integração continua a ser dificultada pelos desafios da governança, paz e segurança enquanto pilares chave que incluem também o movimento econômico de pessoas e serviços e a infraestrutura. Para ele, o alcance dos amplos objetivos do desenvolvimento continental são desassociáveis da paz e segurança.

Foto ONU: Dominic Sansoni
Integração produtiva é também fundamental para ligar as economias Africanas numa cadeia de valor regional e global

Integração

“O comércio interafricano registou uma alta antes da pandemia, embora continuasse baixo em comparação com outras regiões, notou Karingi, acrescentando que a digitalização é chave para manter a competitividade, permitindo uma participação efetiva no comercio eletrônico”.

O diretor da ECA assegurou também que o progresso na integração era irregular, a livre circulação de pessoas foi fundamental para a realização da Zona de Livre Comércio e as comunidades Econômicas estão registrando um índice de complementaridade de mercadorias muito baixo.

Em 2018, África respondeu por apenas 2,6% do comércio global, os negócios entre os países do continente subiram de 15,5% em 2017 para 16,1% em 2018, o equivalente a $159,1 bilhões. A produção global diminuiu ligeiramente para .6% em 2018 contra 3,8% em 2017.

O relatório analisa os progressos da integração regional em África, dando particular realce ao avanço feito pelas Comunidades Econômicas Regionais. A macroeconomia, produção, comercio e infraestrutura foram algumas dimensões da integração estudadas. Outras são: a livre circulação das pessoas, governança, paz e segurança.

FAO
Entrada em vigor do comércio livre foi adiada devido à Covid-19

Desempenho

“A maioria das comunidades e  Estados-membros lutam para melhorar os índices da integração produtiva, a dimensão em que registraram o pior desempenho da integração regional e a que foi determinante no reforço da industrialização e comércio,” disse Karingi. 

Para o economista, a integração produtiva é também fundamental para ligar as economias Africanas numa cadeia de valor regional e global, como previsto na Agenda 2063 e a maioria das comunidades estão atrasadas na importação e exportação do capital entre as regiões. 

A dimensão é liderada pela União Magrebina Árabe e a Comunidade da África Oriental, com 0.449 e 0.434 respetivamente no índice de pontuações. 

A Cedeao é o bloco regional menos integrado com 0.220 pontos. As Comunidades Econômicas dos Estados da África Central e Oriental têm o melhor desempenho de integração macroeconômica com 0.684 e 0.660, respetivamente.
 
 *Da ONU News em Bissau, Amatijane Candé.

 

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