Agência da ONU diz que venda de carros elétricos deve disparar até 2030
BR

23 julho 2020

Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirma que até 2030 serão vendidos 23 milhões de veículos, 20 milhões a mais que em 2017; agência afirma que mundo deve buscar como financiar o alto custo da bateria e em mitigar os efeitos sobre o meio ambiente de materiais utilizados na produção como lítio e cobalto.

O crescimento na mineração de matérias-primas usadas para fabricar baterias de carros elétricos causa preocupações ambientais e sociais que devem ser tratadas com urgência. A declaração consta de um relatório da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

Em todo o mundo, os consumidores compram, cada vez mais, carros elétricos. Segundo a Agência Internacional de Energia, as vendas destes veículos devem passar de 3 milhões, vendidos em 2017, para 23 milhões em 2030.

Crescimento 

As baterias recarregáveis devem ter um crescimento semelhante. As vendas de cátodo, que se encontra nas baterias de lítio, devem chegar a US$ 58 bilhões em 2024, bem acima dos US$ 7 bilhões de 2018. 

Em comunicado, a diretora de comércio internacional da Unctad, Pamela Coke-Hamilton, disse que "a maioria dos consumidores só conhece os aspectos positivos dos veículos elétricos porque a parte negativa do processo de produção não é visível." 

Segundo ela, isso acontece porque a maioria dos consumidores vive em países industrializados, mas a maior parte das matérias-primas está concentrada em alguns países em desenvolvimento. 

Recursos 

Mais da metade dos recursos de lítio do mundo, por exemplo, encontra-se nas salinas das regiões andinas da Argentina, da Bolívia e do Chile.  

A Unctad diz que a mineração desse metal já está causando dificuldades aos agricultores indígenas de quinoa e pastores de lhamas, que precisam competir com os mineradores por água numa das regiões mais secas do mundo. 

Algumas estimativas mostram que são necessários quase 2 milhões de litros de água para produzir uma tonelada de lítio. 
No Salar de Atacama, no Chile, as atividades de mineração consumiram 65% da água disponível, causando esgotamento de mananciais subterrâneos, contaminação do solo e outras formas de degradação ambiental. Como resultado, as comunidades tiveram de abandonar assentamentos onde viviam há séculos. 

Segundo a pesquisa, à medida que a demanda por lítio cresce, os riscos ambientais também aumentam.  

Cobalto 

Em relação ao cobalto, quase 50% das reservas mundiais estão na República Democrática do Congo. O país é responsável por mais de dois terços da produção global do mineral. 

Cerca de 20% do cobalto vem de minas artesanais, onde 40 mil crianças trabalham em condições extremamente perigosas, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.  

A poeira que resulta da escavação pode conter metais tóxicos, incluindo urânio, que causam problemas de saúde, como doenças respiratórias e defeitos congênitos. 

Os riscos ambientais são igualmente preocupantes. Estas minas podem conter minerais de enxofre, que geram ácido sulfúrico quando expostos ao ar e à água. Esse processo pode destruir rios e outros cursos de água por centenas de anos. 

Estes carros causam menos emissões de gases de efeito estufa do que os veículos normais
Carros elétricos causam menos emissões de gases de efeito estufa do que os veículos normais, Trinn Suwannapha/Banco Mundial

Os impactos ambientais da mineração de grafite são semelhantes. Cerca de 80% das reservas naturais deste material estão no Brasil, na China e na Turquia. 

O uso de explosivos pode gerar poeira e partículas finas na atmosfera, causando problemas de saúde nas comunidades próximas e contaminando os solos. 

Recomendações  

O relatório afirma que para reduzir esses impactos, é preciso investir mais em técnicas sustentáveis de mineração. E melhorar as tecnologias de reciclagem das matérias-primas usadas. 
 
A Unctad recomenda ainda que a indústria encontre formas de reduzir a necessidade de mineração. Um dos exemplos é o trabalho de cientistas que estão tentando substituir a grafite nas baterias por silício, um material muito mais abundante. 

Reduzir o uso destes minerais pode ainda baixar os preços para as baterias, o que tornará os carros elétricos uma melhor opção.

 

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