Relatora especial quer proteção extra para crianças durante pandemia
BR

7 maio 2020

Responsável por relatório sobre venda e exploração sexual de crianças diz que isolamento social e fechamentos terão implicações para toda a vida.  

Uma relatora especial independente* das Nações Unidas afirmou que a política do secretário-geral da ONU sobre o impacto da covid-19 nas crianças deve ser seguida como base para responder à crise global.

Em comunicado, Mama Fatima Singhateh disse que os menores estão expostos a exploração e abusos num cenário agravado pela pandemia. Para ela, é preciso expandir serviços de atendimento e abrigos para as crianças que precisam do auxílio.

Crianças lavando as mãos em Cox’s Bazar, Bangladesh. Foto: Unicef/Suman Paul Himu

Prevenção 

Para a relatora, as crianças devem ser ouvidas em decisões que afetam suas vidas.

Singahateh contou que entre 42 milhões e 66 milhões de crianças hoje no mundo já viviam em situação socioeconômica precária mesmo antes da covid-19.

Com a pandemia, as consequências sobre os menores serão arrasadoras caso os governos sejam lentos em mobilizar serviços de proteção e prevenção. 

Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré
Relatório será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em 23 de setembro.

Ruas

Para ela, é preciso mapear às necessidades das crianças rapidamente numa resposta para menores deslocados, refugiados, migrantes, moradores de comunidades, com deficiência, que vivem nas ruas ou em instituições infanto-juvenis.

A especialista também afirmou que as restrições de viagem por causa da pandemia espalharam novas formas de exploração sexual e abusos incluindo tentativas de atrair a criança para o local do agressor ou abusar delas em outras situações. 

© Unicef/Lisa Adelson
Jovens formam quase metade da população global sem acesso à internet. 

Escalada 

Após a pandemia, ocorreu uma escalada no número de tentativas de acesso de sites ilegais com material de abuso sexual de crianças. Produzir, acessar esses materiais além de transmitir essas violações ao vivo tornaram-se uma alternativa fácil de atrair crianças e comercializar as imagens na internet, afirmou a relatora.
 
Ela defende que medidas de assistência social priorizem comunidades e famílias mais carentes dos efeitos colaterais da pandemia.

 *Os relatores especiais são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pela sua atuação.

 

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