Perspectiva Global Reportagens Humanas

Pelo menos 40% de todos conflitos internos estão relacionados com recursos naturais BR

Silhueta de uma plataforma petrolífera marítima no Mar Cáspio durante um pôr do sol dourado.
ONU Assembleia Geral da ONU declarou 6 de novembro como o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Guerra e Conflitos Armados.

Pelo menos 40% de todos conflitos internos estão relacionados com recursos naturais

Assuntos da ONU

Esta quarta-feira, 6 de novembro, a ONU marca o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Guerra e Conflitos Armados; conflitos envolvendo estes recursos têm duas vezes mais chances de reincidência.

Nos últimos 60 anos, pelo menos 40% de todos conflitos internos tiveram alguma relação com a exploração de recursos naturais. Estes produtos podem ser valiosos, como madeira, diamantes, ouro e petróleo, mas também ser recursos escassos, como água e terras férteis.

Foi para chamar atenção para a questão que a Assembleia Geral da ONU declarou 6 de novembro como o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Guerra e Conflitos Armados.

Um homem caminha por um campo verde com uma bicicleta por perto, enquanto uma enorme coluna de fumaça escura sobe de uma refinaria de petróleo ao fundo.
Incêndio em uma refinaria de petróleo, na Sérvia. De acordo com a ONU Meio Ambiente, nos últimos 60 anos, pelo menos 40% de todos os conflitos internos tiveram relação com a exploração de recursos naturais de alto valor. Foto: © ONU Meio Ambiente

Guerra e conflitos

Em mensagem para marcar a data, a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen explicou que “nas últimas décadas, duas mudanças fundamentais moldaram a maneira como a comunidade internacional entende os desafios à paz e à segurança.”

Em primeiro lugar, existem mais atores de conflito, que podem não estar relacionados com Estados. Andersen aponta que, atualmente, “o fracasso estatal e a guerra civil representam alguns dos maiores riscos para a paz global.”

Em segundo lugar, a chefe da agência destaca que “existe uma maior compreensão das possíveis causas de insegurança.”

Em 2004, o relatório do Painel de Alto Nível sobre Ameaças, Desafios e Mudanças do secretário-geral enfatizou a relação fundamental entre meio ambiente, segurança e desenvolvimento social e econômico na busca da paz.

Três anos mais tarde, um debate no Conselho de Segurança reconheceu que missões da ONU em países com recursos “podem desempenhar um papel importante ajudando os governos, com total respeito à soberania sobre seus recursos naturais, impedindo que a exploração ilegal desses recursos continue alimentando o conflito.”

Outras resoluções sobre o tema foram adotadas pela Assembleia Geral em 2016 e 2017.

Segundo Andersen, “os fatores ambientais raramente, ou nunca, são a única causa de conflitos violentos.” Apesar disso, ela nota que “podem estar implicados em todas as fases do ciclo do conflito, desde o início, à continuação da violência até às perspectivas de paz.”

De acordo com a ONU Meio Ambiente, Pnuma, conflitos envolvendo recursos naturais têm duas vezes mais chances de reincidência.

Inger Andersen discursa em um pódio durante o evento Fé pela Terra em Nairóbi, Quênia.
Pnuma/Cyril Villemain Chefe do Pnuma reafirma eficácia da colaboração.

Mudança

Desde 1999, a agência realizou mais de 20 avaliações pós-conflito para determinar os impactos ambientais da Guerra. Também ajudou vários Estados e organizações internacionais a identificar falhas nas leis que protegem estes recursos.

A chefe do Pnuma diz que mudanças na natureza dos conflitos exigem uma nova postura da comunidade internacional em que “o papel dos recursos naturais e meio ambiente deve ser tido em consideração desde o início.”

Com a mudança climática, Andersen alerta para a importância crescente de recursos não valiosos. Ela afirma que acesso a água, degradação dos solos, cheias e poluição “podem aumentar diretamente as tensões e levar ao início de novos conflitos.”