Cúpula da Alta Montanha debate mudança climática e riscos de desastre
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29 outubro 2019

Evento, de 29 a 31 de outubro, da Organização Mundial da Meteorologia, OMM, reúne mais de 150 participantes e especialistas; quase 1/3 da população mundial depende das geleiras e do gelo derretido para obter água doce.

As Nações Unidas lançaram um alerta sobre as montanhas mais altas do  mundo que estão sendo afetadas pelas mudanças climáticas: dos Andes aos Alpes e ao Himalaia.

Cordilheira Huayhuash, no Peru. Os Andes contêm 99% das geleiras tropicais do mundo e 71% estão no Peru. Foto: ONU News/Daniela Gross

De acordo com a ONU, das Américas, à Europa e à Ásia, os impactos do clima prejudicam as áreas mais densamente povoadas.

As regiões montanhosas cobrem 25% da superfície terrestre do globo. Quase um terço da população mundial depende da geleira e do gelo derretido para obter água doce. Com o desaparecimento das geleiras, mais de 2 bilhões de cidadãos serão prejudicados.

Cúpula

Foi para discutir essa questão que a Organização Mundial de Meteorologia, OMM, e vários parceiros convocaram a Cúpula de Alta Montanha. Mais de 150 pessoas, entre especialistas, representantes de países e interessados estarão em Genebra desta terça-feira à quinta-feira em busca de respostas.

A meta é identificar ações prioritárias para apoiar um desenvolvimento mais sustentável, redução de riscos de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Isso inclui um roteiro para melhorar os serviços hidrometeorológicos para lidar com os impactos e gerenciamento de água e riscos.

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que “houve um aumento no derretimento de 31 grandes geleiras, especialmente nas últimas duas décadas.” Ele alertou que “a distribuição de precipitação está mudando, assim como a quantidade e a sazonalidade do escoamento em bacias fluviais dominadas pela neve e alimentadas por geleiras.”

Países como Peru, e tantos outros, que dependem das geleiras, podem sentir os efeitos na agricultura e no fornecimento de água. , by ONU News/Daniela Gross

Relatório

Para Taalas, “as observações, informações e serviços hidrometeorológicos baseados na ciência são essenciais para a resiliência e adaptação climática e para auxiliar na formulação de políticas sobre a alocação e uso de recursos, com relação à segurança da água e  ao gerenciamento de riscos, em níveis nacional, local e comunitário.”

De acordo com o último Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, as tendências atuais das mudanças relacionadas à criosfera nos ecossistemas de alta montanha devem continuar e os impactos aumentarem. Prevê-se que a cobertura de neve, as geleiras e o permafrost continuem a declinar em quase todas as regiões ao longo do século XXI.

Peru

Um dos países que já sentem este impacto é o Peru. Nas montanhas dos Andes, a ONU News conversou com Elmer Carrera. Ele trabalha com animais que carregam os materiais de apoio de turistas. A região é cobiçada para longas caminhadas, algumas consideradas as mais atraentes do mundo.

Carrera vive e trabalha na Cordilheira Huayhuash. Com o conhecimento de quem nasceu e cresceu no local, ele atesta a redução das montanhas.

“Eu trabalho como tropeiro há oito anos. E o que eu notei durante esse período é que, a cada ano, os picos nevados diminuem mais. E isso é algo que não podemos recuperar. Acredito que em 30 ou 40 anos não haverá nada, nem neve.”

Os Andes, que abrangem sete países da América Latina, contêm 99% das geleiras tropicais do mundo, e 71% delas estão no Peru. De acordo com a ONU Meio Ambiente, Pnuma, essas geleiras desempenham um papel crucial no fornecimento de água para mais de 95 milhões de pessoas.

Perda

O diretor de investigação de geleiras do Instituto Nacional de Investigação de Geleiras e Ecossistemas de Montanhas do Peru, Ricardo Jesús Gómez López, explicou à ONU News que o país possui 18 cadeias de montanhas com áreas glaciais. Segundo ele, nos últimos 54 anos, o Peru perdeu 53% dessa cobertura glacial.

“Acredito que o impacto mais evidente da mudança climática, no Peru, e nas montanhas tropicais e nevascas, em nosso país, você vê na deterioração das geleiras.”

Geleiras

Os cientistas acreditam que, à medida que as geleiras derretem, as cidades e vilas próximas a elas terão inicialmente mais água. Mas com o tempo, o suprimento de água diminuirá, e alguns podem até sofrer avalanches e inundações. Países como Peru, e tantos outros, que dependem das geleiras podem sentir os efeitos na agricultura e no fornecimento de água.

Quase um terço da população mundial depende da geleira e do gelo derretido para obter água doce. , by ONU News/Daniela Gross

Carrera diz que por causa desses efeitos, o pequeno vilarejo, onde vive nas montanhas, já está tendo que se adaptar às mudanças.

“No passado, meu avô me disse que nessas áreas, onde estamos hoje, havia muito mais gado. As pessoas se dedicavam muito mais à pecuária e à agricultura nessa região. Mas agora, não vemos muitos animais, muitas pessoas morando aqui. O pasto não é o mesmo e as chuvas chegam no final do ano. Não é o mesmo de antes. E por isso, nós nos adaptamos para sobreviver. Atualmente, minha comunidade optou por limitar o número de mulas por pessoa a cinco ou seis, menos vacas, menos ovelhas. Bem, nós adaptamos nossas vidas.”

Em Genebra, na Suíça, a Cúpula da Alta Montanha deve divulgar uma Chamado à Ação sobre a conversação das geleiras. O tema também constará das discussões da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP 25, marcada para dezembro em Santiago do Chile.

 

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