ONU analisa progressos em Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento

27 setembro 2019

Participam em reunião de alto nível presidentes da Irlanda, do Quênia e primeiros-ministros de Fiji e da Noruega, entre outros; serão discutidos progressos alcançados desde adoção do Caminho de Samoa em 2014.

Começa esta sexta-feira, na sede da ONU, em Nova Iorque, a Reunião de Alto Nível sobre Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, na sigla em inglês.

O encontro ocorre cinco anos após a aprovação de um acordo para apoiar o desenvolvimento sustentável nestes países conhecido como Caminho de Samoa.

António Guterres na ilha de Tuvalu, Foto ONU/Mark Garten

Impacto

No encontro, o secretário-geral, António Guterres, disse que muitas das questões discutidas na Assembleia Geral essa semana “têm um impacto desproporcional” sobre esses países.

O chefe da ONU afirmou que “a emergência climática representa a maior ameaça à sua sobrevivência.” Segundo ele, “um desastre natural pode destruir as conquistas de desenvolvimento conseguidas durante uma geração.”

Ele lembrou o último relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, que afirma que a velocidade da subida dos oceanos é o dobro do que era no século 20. Cerca de um quarto da população desses países vive cinco metros ou menos acima do nível do mar.

Na segunda-feira, durante o Encontro de Cúpula de Ação Climática, esses países assumiram o compromisso de atingir a neutralidade de carbono e produzir 100% de energia renovável até 2030.

António Guterres disse que esses Estados estão “novamente liderando o mundo na direção certa”, mas “a crise climática está provocando injustiça atrás de injustiça.”

Segundo ele, esses países “contribuem muito pouco, praticamente nada, para o aquecimento global”, mas “estão pagando o preço mais alto.”

O chefe da ONU afirmou que “é hora de tomar grandes decisões e fazer grandes investimentos.”

Declaração

No final do encontro, foi aprovada uma declaração política. O documento pede novas formas de ajudar esses países a lidar com o risco de desastres, investir em infraestrutura resiliente e completar a transição para energias renováveis.

A declaração também pede que as instituições internacionais ajudem os pequenos Estados insulares e outros países de baixa e média renda a ter acesso a financiamento.

Ator e ativista Jason Momoa também discursou no encontro, Foto ONU/Laura Jarriel

Prioridades

Antes da reunião, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Elsa Teixeira de Barros Pinto, falou à ONU News sobre as necessidades destes países. Segundo ela, uma das prioridades deve ser a definição dos investimentos.

“Como país em vias de desenvolvimento e que tem expetativas para um ramo superior, acho que a comunidade internacional está um pouco distraída. Distraída porque os recursos são desviados para coisas que não são menos importantes, mas que podiam incidir muito mais sobre ajudas à redução da pobreza em várias partes do globo. E é preciso olhar o mundo de frente e ver que, efetivamente, as assimetrias ainda são muito grandes, as desigualdades são muito grandes e essas desigualdades é que são geradoras da injustiça social e dos conflitos sociais no mundo.”

Necessidades

Esses países estão entre os mais vulneráveis ​​do mundo, enfrentando um conjunto único de questões relacionadas ao seu tamanho, isolamento, exposição a choques econômicos externos e desafios ambientais, incluindo os impactos da mudança climática.

A revisão do Acordo de Samoa deve discutir os progressos e desafios. Para o futuro, a ONU está pedindo que governos, setor privado, sociedade civil e academia lancem novas parcerias sobre implementação das áreas prioritárias.

As Nações Unidas dizem que “os próximos cinco anos de implementação devem buscar sinergias com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a agenda climática e outros processos multilaterais.”

Participantes

Participaram no encontro o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o presidente da Assembleia geral, Tiijani Muhammad-Bande, e vários altos funcionários da ONU.

Participaram vários chefes de Estado e de Governo, como os presidentes da Irlanda, do Quênia e de Seychelles, e os primeiros-ministros de Barbados, Fiji, Samoa, Noruega, Aruba, Antígua e Barbuda e Curaçao.

O ator Jason Momoa foi um dos participantes.

 

 

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