ONU alarmada com escalada de confrontos militares na Síria

7 maio 2019

Novos ataques mataram pelo menos 27 civis e ferem outros 31 desde 29 de abril; Guterres apela ao fim imediato das hostilidades com início do mês do Ramadão.

O secretário-geral da ONU, António Guterres vê “com grande preocupação” a intensificação das hostilidades no noroeste da Síria. A situação já terá provocado centenas de mortos e feridos e mais de 150 mil novos deslocados.

Os confrontos entre as forças do governo sírio e os seus aliados, e as forças armadas da oposição alarmam as Nações Unidas após relatos de ataques aéreos contra centros populacionais e infraestruturas civis.

Apelo

O chefe da ONU pede às partes que se comprometam totalmente com as disposições do cessar-fogo do memorando assinado a 17 de setembro de 2018.Foto ONU/Mark Garten

De acordo com a ONU, a 5 de maio, três centros de saúde foram atingidos por ataques aéreos, elevando para sete o total de infraestruturas deste tipo atingidas desde 28 de abril.

Em nota emitida pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, o secretário-geral insta todas as partes a defenderem o direito internacional humanitário e a proteger os civis.

O apelo às partes é que acabem com os confrontos, quando começa o mês sagrado do Ramadão. O chefe da ONU pede às partes que se comprometam totalmente com as disposições do cessar-fogo do memorando assinado a 17 de setembro de 2018.

Escalada

Também o Escritório da ONU para os Direitos Humanos revelou estar alarmado com a situação do país.

A porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, explicou que estes ataques têm “colocado em sério perigo centenas de milhares de pessoas deslocadas que ali permanecem há anos.”

Segundo a representante, informações credíveis indicam que o governo, juntamente com os seus aliados, intensificou os ataques dentro da “zona desmilitarizada” no sul de Idlib e no norte rural de Hama.

Violência

A ONU destaca que a situação “pode levar a uma resposta de outros grupos armados, incluindo Hay'at Tahrir al-Sham, afiliado da Al-Qaeda, criando uma situação volátil que pode provocar mais violência e deslocamento.”

A intensificação da violência já afetou severamente os civis.

De acordo com informações recolhidas pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, pelo menos 27 civis foram mortos e 31 ficaram feridos desde 29 de abril. As vítimas incluem muitas mulheres e crianças.

O escritório deixa o apelo a todas as partes do conflito “para que respeitem os princípios do direito internacional humanitário de distinção, precaução e proporcionalidade e para assegurar a proteção total dos bens civis.”

 

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