Síria: 12 milhões de pessoas dependem agora de ajuda humanitária

24 abril 2019

Secretária-geral-adjunta para os Assuntos Humanitários descreve atual situação no país; conflito arrasta-se há oito anos; escalada de violência recente em Idlib provocou destruição de escolas e hospitais. 

A secretária-geral-adjunta da ONU para os Assuntos Humanitários, Ursula Mueller, informou que, após oito anos de conflito na Síria, oito em cada dez pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

12 milhões de pessoas continuam a depender de assistência humanitária.

Idlib

Analisando a atual situação no noroeste da Síria, a representante explicou que 2,7 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, incluindo mais de um milhão de crianças.
Foto ONU/ Manuel Elias

Em declarações ao Conselho de Segurança sobre a situação humanitária no país, a representante destacou a escalada de violência que se regista desde fevereiro em Idlib, e que terá matado mais de 200 civis e provocado a fuga de 120 mil pessoas para áreas mais próximas da fronteira com a Turquia.

Os confrontos estão também a destruir infraestruturas civis, sendo que em fevereiro e março, 11 escolas foram atacadas.

Mueller pediu a todas as partes que “respeitem o direito internacional humanitário e tomem todas as precauções viáveis ​​para evitar e minimizar os danos a civis.”

Noroeste

Analisando a atual situação no noroeste da Síria, a representante explicou que 2,7 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, incluindo mais de um milhão de crianças. 1,7 milhão destas pessoas estão deslocadas internamente, “muitas das quais foram deslocadas várias vezes e vivem em acampamentos há anos.”

A ONU estima que, nesta região, cerca de 40% das crianças estão fora da escola.

Perante estes números, Mueller defendeu que é fundamental “garantir o acesso humanitário contínuo” aos parceiros humanitários que apoiam, todos os meses, cerca de 1,7 milhão de sírios.

Al Hol

O acampamento em Al Hol abriga atualmente mais de 73 mil, quase dois terços crianças com menos de 12 anos.
Unicef/ Grove Hermansen

Já em relação ao campo de refugiados de Al Hol, a secretária-geral-adjunta relembrou que a maioria das pessoas “foi exposta a extrema violência e trauma” enquanto o campo esteve sob o controlo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, e que agora vive “em condições extremamente difíceis.”

O acampamento em Al Hol abriga atualmente mais de 73 mil, quase dois terços crianças com menos de 12 anos.

Segundo a responsável, há 458 crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Deficiência

Mueller explicou também que as pessoas que vivem com deficiência enfrentam, frequentemente, desafios acrescidos, sendo frequentemente excluídas e altamente vulneráveis.

Muitas não têm acesso a cuidados de saúde e educação e enfrentam dificuldades em satisfazer as suas necessidades básicas, enfrentando desafios de proteção e psicossociais específicos, incluindo um maior risco de violência e abuso.

A representante sublinhou, por isso, que deve ser feito o máximo para apoiar e proteger estas pessoas e assegurar que as suas necessidades sejam atendidas.

 

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