Ajuda ao desenvolvimento sustentável está estagnada, alerta a ONU

4 abril 2019

Relatório revela agravamento de desigualdades no mundo em desenvolvimento; pelo menos 30 países estão em “alto risco de endividamento”; vice-secretária-geral da ONU considera necessário “refazer a arquitetura financeira global.”

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohamed, alertou esta quinta-feira que os níveis de ajuda ao desenvolvimento sustentável “estão estagnados e abaixo dos compromissos.”

Esta é uma das conclusões do Relatório de Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável de 2019. Segundo a representante,  o documento “contém mensagens preocupantes.”

Desigualdades

Falando aos jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, Mohamed enfatizou ainda o facto das “alterações climáticas continuarem a ameaçar o desenvolvimento sustentável em todas as regiões.”
Foto ONU/ Jean Marc Ferré

Os níveis de investimento privado nos países em desenvolvimento estão abaixo dos níveis registados em 2012, enquanto que apesar dos fluxos de investimento direto estrangeiro nestes países terem aumentado em 2018, estes continuam distribuídos de forma desigual, “em grande parte ignorando muitos países menos desenvolvidos.”

A publicação adianta também que apesar das receitas públicas terem aumentado em 80 países em desenvolvimento, em 2017, a desigualdade está agrava-se. De acordo com o documento, 30 países desse grupo estão em alto risco de endividamento.

A publicação resulta da colaboração entre 60 entidades do sistema das Nações Unidas e parceiros, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, FMI, e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico, Ocde.

Falando aos jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, Mohamed enfatizou ainda o facto das “alterações climáticas continuarem a ameaçar o desenvolvimento sustentável em todas as regiões.”

Sistema Financeiro

Numa análise mais detalhada, a vice-secretária-geral da ONU destacou cinco pontos deste relatório.

Para ela, o sistema multilateral “está sob pressão” num ambiente global em rápida mudança. Para responder a esta realidade, a comunidade internacional deve, na sua opinião, reafirmar sua ação.

Mohamed considera que é preciso “refazer a arquitetura financeira global”, nomeadamente os pagamentos de juros das dívidas soberanas, as normas tributárias internacionais e, especialmente, o sistema multilateral de comércio.

Ação Climática

O relatório identifica a necessidade de complementar as abordagens globais com ações nacionais e de definir uma perspetiva de longo prazo para “alcançar o desenvolvimento sustentável e combater a mudança climática.”
Minustah/ Logan Abassi

Outros pontos que precisam de uma perspetiva de longo prazo são a necessidade de complementar as abordagens globais com ações nacionais e de definir uma perspetiva de longo prazo para “alcançar o desenvolvimento sustentável e combater a mudança climática”.

Para a responsável, os incentivos públicos e privados “precisam estar alinhados com o desenvolvimento sustentável a longo prazo”. Esse cenário exige “a criação de índices de longo prazo, o incentivo a ratings de crédito de longo prazo, a contabilização de custos externos, por meio de impostos sobre carbono ou instrumentos similares, e a exigência de divulgação mais significativa por parte de empresas em questões sociais e ambientais.”

O apelo de Amina Mohamed é que se aproveite “o potencial da inovação para fortalecer o financiamento do desenvolvimento”. A vice-secretária-geral lembrou que 500 milhão de pessoas obtiveram acesso a serviços financeiros nos últimos anos, “em grande parte devido a tecnologias financeiras.”

 

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