Davos: Guterres chama o mundo para inverter situação que pode ser “receita para desastre”
BR

24 janeiro 2019

Em declaração no Fórum Econômico Mundial, secretário-geral disse que economia global é marcada por abrandamento, problemas e riscos no horizonte; António Guterres alertou sobre perda da corrida em relação às mudanças climáticas.

O secretário-geral das Nações Unidas fez a sua declaração nesta quinta-feira no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, onde começou traçando a situação global.

António Guterres disse que pode caracterizar o estado do mundo com desafios globais cada vez mais integrados e respostas cada vez mais fragmentadas. Para o chefe da ONU, se essa situação não for invertida é uma “receita para o desastre”.

António Guterres, é entrevistado no Facebook Live pela jornalista Eshe Nelson no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, em 24 de janeiro de 2019. Foto: ONU News/Kerry Constabile

Riscos

Em relação à economia global, o secretário-geral destacou que esta é marcada pelo “abrandamento, nuvens escuras e riscos no horizonte”. Sobre como esses fatores se relacionam, ele disse que as tensões comerciais têm essencialmente conexão com a tensão política.

O chefe da ONU acrescentou que a questão da dívida limita a capacidade dos países de responderem às crises e alcançarem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. Ele destacou ainda que “os sistemas políticos não sabem exatamente o que fazer”.

Guterres voltou a alertar que o mundo está “perdendo a corrida” em relação à mudança climática. O representante apelou aos governos que assumam compromissos mais arrojados, para além do Acordo de Paris.

Mudança Climática

Guterres destacou que a mudança climática é a questão que define o nosso tempo sendo “absolutamente fundamental reverter essa tendência".

Depois da COP24, realizada em dezembro na Polônia, onde foi adotado o Plano de Implementação do Acordo de Paris, Guterres disse que “não estava esperançoso” que as nações encontrassem a determinação necessária para avançar.

Segundo o secretário-geral, “é preciso vontade política e que governos entendam que essa é a prioridade mais importante de nossos tempos”.

Guterres também destacou o tema numa transmissão ao vivo do Facebook, dizendo que os compromissos assumidos em Paris já são suficientes e “se o que foi concordado fosse materializado, a temperatura subiria mais de 3 graus Celsius.”

Forum Económico Mundial/Jakob Polacsek
Dados são de um relatório apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos.

Globalização

O chefe da ONU disse é preciso que os países assumam compromissos mais fortes em relação às alterações climáticas e pediu mais medidas para mitigação, adaptação e ajuda financeira para os países mais pobres.

Na declaração durante o Fórum, ele também destacou temas como a globalização e o aumento das desigualdades “mesmo dentro dos países”. Para o chefe da ONU, os efeitos dessa situação incluem a redução de confiança nas instituições.

Guterres falou ainda da desigualdade no crescimento económico e a estagnação da expansão per capita dos países em desenvolvimento. Ele alertou que a desigualdade é o fator que aumenta os conflitos.

Para o secretário-geral, o mundo enfrenta uma multiplicação de conflitos e ainda não é multipolar.

FEM/ Valeriano Di Domenico
O encontro Anual do Fórum Económico Mundial realiza-se, como é tradição, em Davos, na Suíça.

 

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Saiba mais sobre o Fórum Económico Mundial de Davos

Secretário-geral e alta comissária dos Direitos Humanos estão entre os representantes da ONU que participarão; encontro reúne representantes das áreas política e económica para debater grandes questões mundiais.

Guterres diz que “a marca que vende melhor no mundo hoje é o medo”

Secretário-geral falou aos jornalistas pela primeira vez este ano na sede das Nações Unidas; chefe da organização afirmou que é preciso “recrutar todos os segmentos da sociedade numa batalha por valores”.