Perspectiva Global Reportagens Humanas

Agência da ONU diz que países mais pobres devem fomentar negócios dinâmicos

Operária em uma fábrica de processamento de abacaxi na Costa Rica, usando um avental amarelo e luvas verdes, separando abacaxis em uma esteira transportadora.
Foto Pnud Para a agência, o legado da covid-19 sobre trabalhadores jovens pode ter consequências ainda maiores com desperdício de talento, formação e treinamento.

Agência da ONU diz que países mais pobres devem fomentar negócios dinâmicos

Desenvolvimento econômico

Relatório dos Países Menos Desenvolvidos de 2018 examina empreendedorismo; Unctad emite recomendações a governos para combater pobreza e criar empregos; cinco países lusófonos fazem parte da lista dos países menos desenvolvidos do mundo.

A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, considera que os países menos desenvolvidos do mundo devem fomentar negócios dinâmicos que criem empregos e ajudem a acabar com a pobreza.

No seu Relatório dos Países Menos Desenvolvidos de 2018, a agência da ONU examina o empreendedorismo e conclui que os governos devem priorizar empreendimentos dinâmicos e implementar políticas que os ajudem a prosperar.

Lusófonos

Mães com bebês recém-nascidos sentam-se nos degraus de um centro de saúde materna em Nassian, Costa do Marfim, aguardando vacinas e mosquiteiros.
Os países menos desenvolvidos têm mais de 1 bilhão de pessoas, 13% da população mundial, representando apenas 1,3% do PIB, by Foto Unicef/ Dejongh

Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste fazem atualmente parte desta lista que é revista cada três anos.

O relatório analisa as condições para a criação e o crescimento de empresas de alto impacto nos Países Menos Desenvolvidos, PMDs. Este grupo é composto por 47 nações, a maior parte da África subsaariana, alguns países asiáticos e vários Estados insulares.

Relatório

Estes países têm um tratamento preferencial nos acordos de comércio mundial e políticas de mudanças climáticas devido às suas desvantagens crónicas.

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, explica que “o relatório estabelece uma postura mais ativa para o Estado na promoção do empreendedorismo local dinâmico e transformacional.”

O responsável considera que “ao encorajar os decisores políticos a valorizarem os benefícios do empreendedorismo, este relatório faz uma contribuição inestimável aos esforços para agregar valor à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável pelos países menos desenvolvidos.”

A entidade responsável por esta avaliação é o Comité de Política de Desenvolvimento, que reporta ao Conselho Económico e Social das Nações Unidas, Ecosoc.

O comité avalia o rendimento per capita, os ativos humanos e critérios de vulnerabilidade económica para determinar a lista.

Economias

Segundo o relatório, diversas características estruturais tendem a enfraquecer o empreendedorismo e o crescimento das empresas, incluindo finanças desequilibradas, infraestruturas limitadas, falta de instituições, pobreza, restrições ao empoderamento das mulheres e elevados riscos políticos, económicos e ambientais.

O resultado é que a maioria das empresas dos países menos desenvolvidos são micro ou pequenas empresas e 58% das empresas formais têm, no máximo, 20 empregados.

O relatório diz ainda que um grande número de pessoas nos países menos desenvolvidos é forçado ao empreendedorismo de pequena escala e baixo valor por necessidade.

O empreendedorismo é dominado pelo trabalho autónomo, que representa  70% do emprego total, micro e pequenas empresas informais com baixas taxas de  sobrevivência, de crescimento e pouca propensão a inovar.

As pequenas empresas representam 58% de todas as empresas desses países.

O relatório também revela que a grande maioria dos empresários dos países menos desenvolvidos é “orientada pela necessidade”.

A Unctad recomenda que os formuladores de políticas devem fornecer apoio adaptado ao ciclo de vida das empresas, com base em critérios de seleção objetivos e vinculando benefícios e incentivos ao seu desempenho.

A agência conclui ainda que a coerência e a coordenação entre políticas de empreendedorismo, políticas industriais, políticas e políticas rurais para ciência, tecnologia e inovação também são fundamentais, assim como o desenvolvimento de competências de empreendedorismo na educação.

Menos desenvolvidos

No total, os países menos desenvolvidos, PMDs, têm mais de 1 bilhão de pessoas, 13% da população mundial, representando apenas 1,3% do PIB e 1,1% do comércio mundial.

De acordo com o relatório, cerca de 270 milhões de trabalhadores nestes países eram independentes em 2017, o que geralmente é considerado uma forma de empreendedorismo. Este montante corresponde a 70% do emprego total, comparado com 50% em outros países em desenvolvimento.