Acnur pede que Grécia acelere as medidas de emergência em Samos e Lesbos

6 novembro 2018

Agência da ONU para o Refugiados apela às autoridades gregas que lidem com a situação humanitárias nas duas ilhas; 11 mil pessoas estão em centros de acolhimento; Acnur classifica atuais condições de “abomináveis”.

O porta-voz do Agência da ONU para os Refugiados, Charlie Yaxley, apelou, esta terça-feira, às autoridades gregas que tomem medidas urgentes para lidar com a situação humanitária de cerca de 11 mil requerentes de asilo nas ilhas de Samos e Lesbos.

O responsável afirmou que atualmente “as condições nos centros de recepção e identificação nas duas ilhas são abomináveis.”

Condições

Meninas e mulheres estão mais propensas ao risco de violência sexual em áreas de conflito. Já os garotos acabam expostos a recrutamento de grupos armados
Acnur chama à atenção para a situação dos requerentes de asilo vulneráveis, incluindo 200 crianças desacompanhadas, 60 mulheres grávidas e sobreviventes de violência sexual., by Foto Acnur / Achilleas Zavallis

Segundo o representante, a urgência de medidas é maior à medida que o inverno se aproxima e mais pessoas chegam a estes centros.

O Acnur considera que a prioridade deve ser reduzir a superlotação dos dois centros, providenciando um melhor alojamento e acelerando as transferências para o continente para as mais de 4 mil pessoas que foram consideradas elegíveis.

A agência da ONU saúda os planos do governo de disponibilizar 6 mil acomodações no continente e a transferência de mais de 6,5 mil pessoas das ilhas para o continente desde agosto.

No entanto, mais de 11 mil pessoas chegaram às ilhas nos últimos três meses. Há mais chegadas do que partidas. Por isso, o porta-voz do Acnur está “particularmente preocupado com o facto de as transferências terem abrandado recentemente, enquanto a nova oferta no continente é escassa.”

Samos

De acordo com o Acnur, o centro localizado em Samos tem capacidade para 650 pessoas mas abriga atualmente cerca de 4 mil.  Os recém-chegados são assim obrigados a comprar tendas e montam-nas em encostas íngremes em campos adjacentes.  Os migrantes não têm proteção contra o frio, nem eletricidade, água corrente ou banheiros. O lixo acumula-se nas ruas. Tal cenário faz com que muitos dos requerentes de asilo acabem por sofrer problemas de saúde.

O Acnur lembra que há apenas um único médico por turno a prestar assistência médica a toda a população. Muitas vezes, apenas os casos mais urgentes são vistos.

A agência chama ainda à atenção para a situação dos requerentes de asilo vulneráveis, incluindo 200 crianças desacompanhadas, mais de 60 mulheres grávidas, pessoas com deficiência e sobreviventes de violência sexual.

Lesbos

O centro de Lesbos ainda abriga cerca de 6,5 mil pessoas, três vezes a sua capacidade.

O Acnur alerta para o facto da tensão e da frustração estar a aumentar, particularmente devido a atrasos administrativos. Além do apelo às autoridades gregas, o Acnur pede também à Comissão Europeia e aos Estados-membros que continuem os preparativos para prestar medidas de apoio de emergência e de transferênciaa pedido do governo grego.

 

 

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