Guterres cita exemplo da Guiné-Bissau em debate sobre mulheres e segurança

25 outubro 2018

Secretário fala de contribuição feminina para reverter crise política no país; entre 1990 e 2017, havia 2% de mediadoras em todos os principais processos de paz; ONU destaca aumento de 56% de casos violência sexual ligada a conflitos no ano passado.

O secretário-geral da ONU disse ao Conselho de Segurança que uma organização de mulheres “manteve o diálogo vivo” na Guiné-Bissau, que atravessa uma crise política desde 2015.

António Guterres participou esta quinta-feira no debate dos 15 Estados-membros sobre mulheres, paz e segurança que acontece todos os anos.

Progresso

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Além do chefe da ONU, participaram a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, e a diretora do Centro de Mulheres para Aconselhamento e Ajuda Legal, Randa Siniora Atallah.

O chefe da ONU destacou alguns exemplos de progresso ocorridos no ano passado. Além da Guiné-Bissau, Guterres disse que mulheres ajudaram a reconstruir comunidades na Colômbia e a reduzir tensões na República Centro-Africana e no Mali.

Na Síria e no Iêmen, elas negociaram acordos de paz locais, criaram zonas seguras para moradores e coordenaram atividades de ajuda humanitária.

Sobre as Nações Unidas, o secretário-geral disse que o Fundo da Manutenção de Paz dedica mais de 30% dos seus recursos à igualdade de gênero. Além disso, cada vez mais doadores pedem que suas contribuições sejam usadas nesta área.

Dificuldades

Apesar destes progressos, o chefe da ONU disse que ainda há muito para fazer.

Segundo ele, a participação de mulheres em processos de paz “continua extremamente limitada”. Entre 1990 e 2017, as mulheres eram 2% dos mediadores de todos os principais processos de paz, 8% dos negociadores e 5% das testemunhas e signatários.

Além disso, os conflitos “continuam a ter efeitos arrasadores nas mulheres e meninas”. No ano passado, a ONU documentou 800 casos de violência sexual relacionada a conflitos, um aumento de 56% desde 2016.

Guterres também disse que “os defensores dos direitos humanos das mulheres, líderes políticos, jornalistas e ativistas são afetados a uma taxa alarmante.”

Mudanças

Phumzile Mlambo-Ngcuka. Foto: ONU Mulheres Moçambqiue
Phumzile Mlambo-Ngcuka. Foto: ONU Mulheres Moçambique

Para o chefe da ONU, este também é um problema de financiamento. Apenas 5% de toda a ajuda bilateral é dedicada à promoção de igualdade de gênero e ao empoderamento feminino.

O secretário-geral disse que existe uma diferença entre o que se diz na sala do Conselho de Segurança e o que os Estados-membros fazem fora dela. Segundo ele, “todos os anos são feitos compromissos louváveis, mas não são acompanhados pelo necessário apoio financeiro e político.”

Para corrigir essa situação, Guterres diz que vai dar prioridade a várias ações no próximo ano.

Primeiro, ele sugere aumentar a presença feminina em operações no campo. Depois, mais mediação, apoio a iniciativas locais e financiamento. Por fim, a inclusão de uma análise sobre gênero em seus relatórios para o Conselho sempre que seja relevante.

Relatório

No seu discurso, a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, apresentou as conclusões do relatório do secretário-geral sobre o tema.

Mlambo-Ngcuka descreveu a pesquisa como “um alarme sobre as falhas sistêmicas em trazer as mulheres para a manutenção de paz.” Segundo ela, desde o informe do ano passado, todos os indicadores estagnaram ou pioraram.

Apesar disso, a representante disse que “se as mulheres forem apoiadas para se organizar de forma eficiente, o progresso é imparável.”

 

 

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