Moçambique é citado em relatório da ONU sobre ação de piratas somalis
BR

15 outubro 2018

Aumento de ataques costeiros é um dos principais desafios para combater ação; número de incidentes e de marinheiros afetados subiu para o dobro na costa da Somália.

As Nações Unidas divulgaram esta segunda-feira um relatório alertando para persistentes tentativas de piratas que mostram que as condições que favorecem essa prática não mudaram e “as redes continuam muito ativas”.

Os desafios incluem o fluxo ilícito de narcóticos e armas, o contrabando humano e a migração ilegal. Na lista estão ainda “o aumento da pirataria na costa da Somália e de Moçambique e o movimento de terroristas por fronteiras desprotegidas”.

Irin/Daniel Hayduk
No ano passado, foi aprovado o Acordo de Facilitação de Comércio OMC.

Rotas do Mar

O documento destaca perigos que incluem os efeitos colaterais do conflito no Iémen. Em 2018, esses confrontos aumentaram incidentes na costa do país árabe, e afetaram as principais rotas marítimas entre o Iémen e a Somália.

O estudo revela que Moçambique é um dos 15 parceiros de um programa criado para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. A iniciativa com o nome “Apanhado em Flagrante” na tradução em português,  tem o apoio do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc.

O documento destaca ainda que quatro grupos de piratas continuam prontos para retomar ataques se tiverem uma oportunidade na Costa da Somália. Estes têm facilidade de buscar armas e de operar com pequenos barcos. Segundo o informe,  ocorreram várias tentativas de ataques na temporada de monções.

O estudo cita o relatório “O estado da Pirataria Marítima 2017: Avaliando o custo económico e humano”, da ONG Oceans Beyond Piracy. Esse estudo revela que ocorreram 54 incidentes na região do Oceano Índico nesse período, o dobro do ano anterior.

Marinheiros

No ano passado, o número de marinheiros afetados por incidentes de pirataria e assaltos à mão armada subiu mais do que o dobro para 1.102.

Em 2018, a área de alto risco também aumentou e foi alargada a possibilidade de se estenderem ataques piratas ao longo do Oceano Índico.

Em vários incidentes recentes, os agressores não desistiram após passarem por fracassos na primeira tentativa. O estudo destaca que há determinação e comprometimento dos piratas para alcançar seus objetivos.

O relatório menciona vários incidentes em que os responsáveis quase tiveram sucesso, para lembrar que essas tentativas “foram suprimidas, mas não erradicadas”.

Foto: marinha dos EUA/Ja'lon A. Rhinehar
Relatório destaca perigos que incluem os efeitos colaterais do conflito no Iémen.

Alto Risco

Este ano, ocorreram episódios piratas com menor êxito, um desempenho que a ONU atribui a medidas em vigor, alertando que estas devem ser melhor implementadas.

O apelo feito aos operadores navais é que sigam o guia de Melhores Práticas de Gerenciamento, lançado em junho passado. A outra recomendação é que as embarcações mantenham alta velocidade perto da área de alto risco por ser provável que “redes criminosas continuem a buscar alvos oportunistas.”

O documento aconselha que seja mantida a presença do pessoal de segurança militar contratado por particulares e das forças navais internacionais para dissuadir os piratas.

 

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