Estudo que alerta sobre insegurança alimentar cita Angola, Guiné-Bissau e Moçambique

22 março 2018

Aproximadamente 124 milhões de pessoas enfrentam o problema em todo o planeta; milhares de guineenses e moçambicanos devem precisar de auxílio este ano; novas ações da FAO e PMA abordam situação em áreas de conflito prolongado e seca.

O número de pessoas que enfrentam fome aguda subiu em 11 milhões, alcançando os 124 milhões em 2017.

A informação é do Relatório Global sobre Crises Alimentares lançado esta quinta-feira na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, que destaca os conflitos e a insegurança como principais causas desse aumento.

Plano

Em Roma, o diretor geral da agência, José Graziano da Silva, disse que em breve será divulgado um plano com enfoque em áreas de conflito prolongado. A meta é  evitar os afetados migrem, fiquem desempregados e continuem produzindo.

 “Aumentou o número de pessoas em áreas de conflito, em áreas que estão na iminência de fome. Mas se a gente olhar, a grande maioria, duas de cada três pessoas, já estava na área de conflito. Estas pessoas que vão aumentando não são de áreas de novos conflitos. São de áreas que já estavam em conflito e que esse conflito se estende, se agudiza. Nós estamos dizendo basicamente que aí é que é importante, não apenas olhar para atender as pessoas nos campos de refugiados, mas manter as pessoas nas áreas onde elas estão.”

O documento indica que entre as regiões mais afetadas estão Mianmar, nordeste da Nigéria, República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Iêmen.

Parceria

O estudo resulta da parceria da FAO, do Programa Mundial de Alimentação, PMA, e da União Europeia e destaca que as secas prolongadas também resultaram em más safras seguidas em países que já enfrentam altos níveis de insegurança alimentar e desnutrição.

Falando em exclusivo à ONU News, em Nova Iorque, a diretora regional do PMA para África Austral e Oceano ĺndico, Lola Castro, revelou exemplos da atuação em parcerias nessas situações.

Temperaturas

“Tanto os governos como as comunidades estão a perceber que temos que fazer algo de maneira diferente. Nesse sentido, o Programa Mundial de Alimentação em conjunto com outras agências como a FAO e o Unicef trabalham com eles para mudar as culturas. Nesta região produz-se muito milho. O milho tem um problema de deficit quando chove pouco ou quando temos altas temperaturas porque perdemos muita colheita. Então trabalhamos com as comunidades para a diversificação. Antigamente nessa região tínhamos muitos cereais diferentes.”

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique

O relatório destaca a situação dos lusófonos Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Da população estudada em Angola, 1% enfrenta maior nível de insegurança alimentar. Na Guiné-Bissau, menos de meio milhão pessoas devem precisar de ajuda alimentar em 2018.

Em Moçambique, entre 500 mil  a pouco menos de 1 milhão de pessoas vai precisar de auxílio alimentar de emergência este ano. No país, 3,1 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar devido a fatores como seca, ciclones e aumento dos preços alimentares.

Apresentação: Eleutério Guevane.